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Curso Apredizes do Evangelho 2º ano FEESP- V

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17ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO II

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo aos Coríntios. De Paulo aos Efésios

1 - Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios (I Cor ou 1 Cor)

Escrita na 3ª. viagem missionária, provavelmente em Éfeso e, talvez, em 54 d.C.

Corinto, como se viu em lição anterior, era a capital da Província Romana de Acaia, localizando-se em posição admirável, pois dominava dois mares: destacava-se nas letras e nas artes, no comércio e nas riquezas que para lá afluiam da Itália e da Ásia. (Província da Acaia é o nome que a Grécia passou a ter, quando foi incorporada ao Império Romano, em 146 a.C.)

Em sua terceira viagem missionária, Paulo fixou residência em Éfeso, capital da Província Romana da Ásia, onde segundo At 20:31 ficou por três anos, mas mantinha-se sempre informado sobre o estado de cada comunidade cristã que fundara, orientando-as em suas dificuldades e mantendo-as no fervor primitivo.

Esta primeira carta aos Coríntios divide-se em três partes distintas, correspondendo as diferentes razões de Paulo tê-la escrito. Na primeira parte, o Apóstolo dos Gentios condena as divisões e escândalos nos partidos da comunidade cristã; na segunda, apresenta soluções a problemas diversos e na última, fala da ressurreição dos mortos e do corpo espiritual.

Paulo toma conhecimento que entre os cristãos de Corinto havia surgido divisões. Uma distinta senhora coríntia, por nome Cloé (1: 11), informou Paulo sobre o estado da igreja na Capital. Lá se digladiavam quatro partidos: o de Apolo, o de Pedro (Cefas), o de Paulo e o do Cristo (1:12).

Estas dissensões nasciam do culto exagerado da personalidade, tão presente no espírito helênico. Acrescia a idéia de que o batizado traria dependência espiritual com o batizante.

O grupo que se recrutava de Apolo (ausente) se arvorava em adversário de Paulo. Apolo e Paulo eram amigos, unidos pelo mesmo ideal apostólico. Porém, de gênios e formações diferentes. Apolo seguia a João Batista e, então, o seu batismo era o de João.

Dos discursos de Apolo saíam os ouvintes satisfeitos com o orador, e com a inteligência iluminada pelas belezas do Cristianismo; dos sermões de Paulo se retiravam silenciosos, insatisfeitos consigo mesmos e prontos para sérias resoluções.

Uma terceira facção desfraldava a bandeira de Cefas (Simão Pedro), não reconhecia em Paulo um verdadeiro representante do Cristo, mas um Apóstolo de segunda categoria, que nunca convivera com Jesus, sem autoridade apostólica pela sua vida errante. Quanto a Apolo, diziam um filósofo pagão, um verdadeiro perigo para o Cristianismo Simão Pedro nada disto sabia.

O quarto partido formado por um grupo que se intitulava "cristão superior", rejeita, a todo e qualquer intermediário humano.

Ora, a formação de facções ameaçava a unidade da igreja.

"Paulo compreendeu que urgia uma medida imediata e enérgica, toda a demora agravaria a situação" (Paulo de Tarso, Humberto Rohden.p.48). Diz esse mesmo autor que essa primeira Epístola aos Coríntios "foi escrita da oficina de Aquila, que se tornou o berço de um dos mais belos documentos apostólicos que a cristandade possui".

A Epístola começa com a saudação e agradecimento a Deus pelos benefícios que lhes concedeu.

Reprova os abusos de todas as espécies, como a formação de partido dos fíliados aos pregadores do Evangelho.

Prega a Doutrina da cruz com simplicidade, em oposição à sabedoria humana, e a anunciou aos espirituais e não aos carnais.

Anuncia o envio de Timóteo e a sua própria ida a Corinto.

Paulo ensina a tolerância para com as faltas alheias, porém recomenda cuidado com a convivência mostrando, através de analogia, que um pouco de fermento velho dos impudicos, dos avarentos, dos ladrões, dos idólatras, dos difamadores, dos bêbados, etc., pode corromper toda uma comunidade. No versículo 8, do cap. 5), diz: "Assim celebremos a festa, não com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães já fermentados de pureza e de verdade".

Ensina ainda que entre cristãos não devem existir litígios submetidos aos tribunais pagãos.

Explica a gravidade do vício ou da impureza, dizendo no cap 6:12-20: "Tudo me é permitido, mas nem tudo me é útil". Essa passagem mostra de maneira bem clara o livre-arbítrio e a responsabilidade que dele decorre. Mostra a importância e as conseqüências da escolha, até no corpo físico. E aconselha (cap. 6:18-19): "Fugi da impureza" .. "ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Santo Espírito, que habita em vós, o qual foi dado por Deus ?".

Na 2ª. parte da carta (cap 7 a 14), dá respostas a diversas questões como:

I) Matrimônio e celibato: legitimidade do casamento e direitos dos esposos (7:10-11): indissolubilidade do vínculo conjugal (7: 10-11 e 7:39): caso de dissolução (7: 12-16): circuncisão e escravidão (7:17-24); virgindade e viuvez ( 7:25-40), conforme o costume social da época.

2) As carnes imoladas aos ídolos; normas a serem seguidas levando em conta os fracos na fé, para evitar escândalo (8:1 -13).

3) Da ordem nas assembléias mediúnicas e do comportamento ideal de cada participante (cap. 11).

4) Nos caps. 12. 13 e 14 classifica os carismas ou dons mediúnicos e seus empregos. Os três capítulos podem ser considerados como precursores de "O Livro dos Médiuns", da Codificação kardequiana. No cap. 13 demonstra que a caridade é superior aos dons, pois sem ela a criatura pouco dá de si mesma, sendo portanto um trabalho deficiente.

A caridade, diz, comprova-se pelas obras e jamais passará; é perene, tudo o mais é transitório. Complementa que três virtudes são excelentes: a fé, a esperança e a caridade, porém a maior delas é a caridade (13:13).

No final da segunda parte de sua carta condena a xenoglossia, quando não trouxer beneficio algum, "pois quem fala em outra língua não fala ao homem, visto que ninguém entende" (14:2).

Em 14:26-40, trata da necessidade de ordem na reunião: 'Tudo deve ser feito com ordem e decoro".

Na terceira parte da primeira Epistola aos Coríntios (cap. 15 em diante). Paulo empenha-se em esclarecer, para a época, o problema da ressurreição dos mortos, mostrando o exemplo de Jesus. Diz que muitos viram o Senhor ressuscitado. "e se não há ressurreição de mortos, então o Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé" (15: 13-14).

Comenta que nem toda carne é igual que há carne de homens, de animais, de aves e de peixes, complementando, por extensão, que há corpos terrestres e corpos celestiais. Diz que a ressurreição dos mortos, por analogia, assemelha-se à semente que morre para nascer dela a planta. Fala: "semeia-se corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo material há também corpo espiritual" (15:44).

No item 15:54, faz uma síntese de todo o processo evolutivo é geração humana até sua chegada no reino angelical. Escreve: "E quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória". E ele exclama: "Onde está, ó morte, a tua vitória') onde está o teu aguilhão'?" (15:55).

Encerra a carta falando acerca da coleta para os necessitados da Judéia; refere-se à sua ida futura a Corinto, pede apoio a Timóteo e a Apolo; e exorta os discípulos a serem vigilantes e firmes na fé, pedindo-lhes que "todos os vossos atos sejam feitos com amor" (16: 14).

2 - Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios (II Cor ou 2 Cor)

Esta segunda Epístola aos Coríntios foi escrita em decorrência da mudança de condições na comunidade. Paulo, em síntese, refere-se aos incidentes passados, à organização de coleta e faz sua própria defesa das acusações que lhe são feitas, confirmando sua lealdade à comunidade de Corinto.

Entre I Cor e II Cor existe: uma carta intermediária: - Um grupo de judaizantes provoca agitação no seio da comunidade e Paulo vai a Corinto a fim de restabelecer a paz, sendo ofendido por um cristão. Voltando a Éfeso, ele escreve aos Coríntios uma carta enérgica e severa, que se perdeu: a ela se refere em II Cor 2:3-9, 7:8-9 e 7: 12.

Com o tumulto dos ourives de Éfeso contra Paulo, este parte e dirige-se a Trôade e daí passa para a Macedônia, onde encontra Tito e tem boas notícias de Corinto. Talvez de Filipos tenha escrito, no final da terceira viagem missionária, no ano de 57, a primeira e a segunda partes da segunda Epístola aos Coríntios, que é a mais pessoal das epístolas paulinas.

De modo geral, os estudiosos de Paulo afirmam que ele não escreveu nada mais eloqüente, nada mais comovente ou mais apaixonante que esta epístola. A tristeza, a alegria, o temor e a esperança, a ternura e o desdém vibram nela com a mesma energia. Ele desabafa como um pai com os seus filhos (6:11-13).

Na primeira parte da carta (cap. 1 a 7 ), Paulo defende-se da acusação de mutabilidade e de inconstância, e de habilidade muito humana de que era acusado pelos seus adversários. Responde também às acusações de arrogância e de orgulho, com a glorificação de seu ministério apostólico.

Aconselha a evitar o vício dos gentios.

Na segunda parte da carta (caps 8 e 9), lembra a importância da coletividade e a participação nela; incentiva a generosidade; recomenda Tito e os demais mensageiros. E diz dos grandes beneficios da esmola.

Na terceira parte (cap. 10 até 12:18), volta a defender-se de seus adversários. Responde às acusações de debilidade e de ambição. Pede desculpas e enumera os seus títulos de glória.

Na 4ª. parte (12: 19 até o fim), Paulo prepara sua nova visita a Corinto, mostra-se apreensivo, e faz duras advertências.

3 - Epístola de Paulo aos Efésios (Ef)

A carta aos Efésios foi escrita em Roma, pelos fins da primeira prisão romana (61-63 d.c). Éfeso era uma cidade da Ásia Menor, hoje na Turquia, e era metrópole, na época.

Nessa carta, Paulo fala primeiro do segredo divino da união do homem com Cristo. Diz que o homem foi predestinado por Deus desde a eternidade e daí sua filiação adotiva para com Ele, através da união em Cristo (cap. 1:3-6): em seguida, escreve que "Deus é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor como nos amou", acrescentando ainda que "todos são convocados para que sejamos edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina" (2:20).

No desenvolvimento da Epístola sustentou, ainda, que recebeu incumbência de anunciar a universalidade da redenção em Cristo (3:13) e suplica a Deus que os fiéis possam compreender o seu imenso amor (3:14-19).

Paulo termina o cap. 3 com uma glorificação, dizendo: "Àquele e pela virtude que opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos, a ele seja dada glória na igreja em Cristo Jesus, por todas as gerações da eternidade" (3:20-21).

Na 2ª. parte da carta (cap. 4 até o fim), Paulo trata da Moral, dizendo que a virtude principal da vida cristã é a caridade na unidade do Espirito e a pureza de vida (4: 1-24). "Sede um só corpo e um só Espírito"(4:4).

Nos versículos 21, 22 e 24, capítulo 4, Paulo ensina pregando a necessidade de despojar-se do homem velho, no que diz respeito ao passado corrompido pelas concupiscência da sedução, para revestir-se do homem novo, criado em justiça e santidade verdadeiras.

Faz algumas advertências gerais a todos os cristãos (4:25 a 5:20).

Diz dos deveres dos membros da família cristã (5:21 a 6:9).

Em 6: 10-18 trata do bom combate espiritual do cristão.

Lembra da necessidade da "armadura de Deus" para todo cristão, para que não caia em tentação (6: 10-20).

Aí, Paulo reafirma que a luta não é de sangue, isto é, entre irmãos de crenças diferentes, mas contra as paixões mundanas e os poderes do mal que delas decorrem (6:12-18).

Numa bonita imagem literária, o Apóstolo desenvolve o tema da "armadura", isto é, da proteção: o "cinto" da verdade (conhecimento), a "couraça" da Justiça (equilíbrio com misericórdia) e as bases do Evangelho da paz (indicam o caminho da Sabedoria e o Amor).

Empunhar o escudo da fé é fundamental para todo cristão, que enfrentará as dificuldades do caminho, consciente e seguro dessa "Armadura de Deus". Complementa Paulo: a oração e a vigilância devem sempre estar presentes no espírito.

E termina falando da missão de Tíquico, que será o intermediário entre a comunidade e ele Paulo (6:21-22) e manda saudações a todos.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo A. Godoy

ESTUDANDO O EVANGELHO - Marlins Peralva.

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo A. Godoy

O NOVO TESTAMENTO - (De preferência uma edição comentada)

CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda.

QUESTIONÁRIO

1 - Corinto era a capital de que Provincia?

2 - Em que cidade Paulo fixou residência em sua 3ª. Viagem Missionária?

3 - Em quantas partes foi dividida a 1ª. Epistola aos Coríntios?

4 - Em quantos grupos se digladiavam os cristãos de Corinto? Quais os nomes dos grupos?

5 - Na 2ª parte da 1ª. Epistola aos Coríntios Paulo condena as manifestações em línguas estranhas. Por quê?

6 - Como Paulo enaltece a Caridade na 2ª. parte da 1." Epístola aos Coríntios? Quais são as três virtudes principais?

7 - Na Epístola aos Efésios, o Apóstolo discorre sobre a necessídade da armadura de Deus para todos os cristãos. O que significa "armadura de Deus"?


18ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO III

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo aos Colossenses. De Paulo a Filêmon. De Paulo aos Tessalonicenses (Duas)

1 - De Paulo aos Colossenses (CI)

Colossos, cidade da Frígia, situada no vale do Lico, floresceu bastante antes de Cristo, depois decaiu e foi, pode-se dizer, a epístola de Paulo que a tornou célebre.

A igreja de Colossos foi fundada por Epafras, um gentio convertido à fé pelo Apóstolo Paulo.

Essa comunidade era formada em grande parte por cristãos recém-convertidos e por convertidos hebreus. Era fervorosa e bem instruída na fé.

A carta foi escrita em Roma, por volta do fim da primeira prisão romana (ano 63 dC.).

Nessa epístola, Paulo discorre sobre a proeminência de Jesus Cristo, como autor da redenção da Humanidade e filho do Deus invisível que criou todas as coisas.

Fala de seu ministério como Apóstolo dos Gentios.

Alerta contra os falsos doutores, mostra que é de Jesus que vem a redenção - Jesus é o caminho, verdade e a vida.

Na segunda parte da carta fala da necessidade de os cristãos levarem uma vida de virtude e de santidade; uma nova vida em Cristo (3: 1-17)

"Tudo quanto fízerdes, por palavras ou obras, fazei em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai, por ele"(3: 17).

Lembra a importância dos deveres mútuos dos esposos, dos pais e dos filhos, dos subalternos e patrões (3:18-25 e 4:1). Em O Livro dos Espíritos, Kardec trata desse assunto, mostrando que nada é por acaso e que o núcleo familiar é o lugar onde a caridade começa.

Paulo mostra ainda a importância da oração para ajudar a todos encerra falando da missão confiada a Tíquico, que deveria informar a eles tudo sobre a situação que Paulo estava vivendo. Manda saudação e recomendação a todos e assina de próprio punho.

2 - De Paulo a Filêmon (Fm)

Escrita pelos fins do 1º. cativeiro em Roma, em 62 ou 63 d.C.

Esta epístola é, na verdade, um bilhete a Filêmon, um cristão colossense de grandes posses. Tinha um escravo de nome Onésimo, que fugira por motivo de roubo. Em Roma, Onésimo conheceu Paulo na prisão e se converteu ao Cristianismo. Foi portador desta missiva.

Após a saudação, Paulo dá graças a Deus pelo amor e fé de Filêmon em Jesus. Faz um pedido a favor de Onésimo.

Confiando no amigo, o Apóstolo pede-lhe por caridade, em Jesus, em falar de Onésimo que se regenerara pela conversão na fé de verdade. Esta confiança chegara a ponto de lhe enviar de volta este meu irmão, que Paulo conheceu na prisão onde pregava o Evangelho.

Como pela lei do mundo, na época, Onésimo era escravo, o missionário pede ao amigo consentisse em recebê-lo, não como servo, mas como irmão, o que era uma sugestão para Filêmon libertá-lo.

- Comenta Emmanuel, "Escrevendo a Filêmon, disse Paulo: mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por obrigação, mas espontâneo. Assim, também, o Divino Mestre para conosco. Aqui e ali, propõe-nos, de maneira direta ou indireta, ensinamentos e atitudes, edifícações e serviços, mas espera sempre por nossa resposta voluntária, uma vez que a obra da verdade, sublimação espiritual não comporta servos constrangidos".

Pode-se complementar que a disciplina antecede a espontaneidade. Ainda Emmanuel, no mesmo livro, lição 165, referindo-se ao mesmo item (l: 14) da carta de Paulo a Filêmon, diz: "Ensoberbece-se (o homem) do poder de que dispõe, afirmando, em determinados casos não sem motivo, que efetuou semelhante aquisição a preço de trabalho e sofrimento ... No entanto, é o Senhor quem lhe propiciou os recursos para a conquista da autoridade, na expectativa de que ele a exerça dignamente

Finalmente, seguindo a mesma sugestão de Paulo a Filêmon, diz Emmanuel ao homem: "Rejubila-te, pois, com as possibilidades de auxiliar, instruir, determinar e agir, mas, consoante o ensinamento do Apóstolo, não olvides que a bondade do Senhor vige nos alicerces de tudo o que tens e reténs, a fim de que te consagres ao serviço dos semelhantes, na edifícação do Mundo Melhor, não como quem assim procede através de constrangimento, mas de livre vontade".

Em "Caminho, Verdade e Vida", lição 17, Emmanuel comenta o item 1: 18 da epístola de Paulo a Filêmon, quando o Apóstolo fala: "E se te fez dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta". "Devemos refletir que quando falamos em paz, em felicidade, em vida superior, agimos no campo da confiança, prometendo por conta do Cristo, porquanto só ele tem para dar em abundância".

3 - De Paulo aos Tessalonicenses (I Ts e II Ts)

São duas epístolas: daí I Ts (ou 1 Ts) e II Ts (ou 2 Ts).

- a) I Ts: Ainda carregando as marcas dos açoites que receberam em Filipos, Paulo e Silas, libertos do cárcere, refugiam-se em Tessalonica, hoje Salonica, importante centro comercial. Aí, durante três sábados, Paulo pregou na sinagoga, mas poucos judeus abraçaram o Cristianismo. Depois pregou para os gentios e bom número de pagãos converteu-se à nova religião. A nova comunidade cristã estava exposta a graves perseguições e perigos na fé.

Paulo, preocupado com isso, assim que chegou a Beréia e a Atenas enviou-lhes Timotéo para os sustentar e confirmar no espírito de união com Jesus.

Com o regresso de Timóteo, Paulo tem notícia que havia resíduos da vida pagã e de uma série de dúvidas, entre outras, algumas questões morais, sobre a sorte dos desencarnados quando ocorresse a parusia, mas, recebe boas noticias também.

Paulo escreveu-lhes a primeira epístola. Foi escrita de Corinto provavelmente no ano 51 ou início de 52 d. C. Segundo muitos, seria a primeira de todas as cartas de Paulo. Ele agradece ao Senhor pelo modo como o Evangelho ai foi recebido. Recomenda o seu trabalho evangélico e sua ternura para com eles, alegrando-se com as boas notícias.

Na 2ª. parte (caps 4 e 5), recomenda evitar alguns vícios; fala das condições dos que já desencarnaram; da segunda vinda de Jesus (parusia) através do Consolador e lembra que tal tempo é o momento de ser chamado para prestar contas, recomendando "Tomemos por couraça a fé e a caridade, e por capacete a esperança da redenção" (5:8).

Faz recomendações para que conservem a paz entre eles, que tenham paciência para, com todos. Que não retribuam o mal com o mal, mas que aspirem ao bem para todos. Lembra a necessidade de serem alegres, pois o pensamento é criador e mantenedor das formas, criando os céus ou infernos em que vivemos. Recomenda ainda a oração sempre e a lembrança de dar graças a Deus para criar e manter padrões elevados. "Mas, vos rogamos, irmãos, que vos aperfeiçoeis mais e mais" (4: 10).

Ensina que não se deve desprezar as profecias, dizendo: - "Examinai tudo. Retende o que for bom, guardai-vos de toda a espécie do mal (5 :21-22). Kardec em O Livro dos Médiuns, cap. XXIII, item 242, mostra que tudo deve ser analisado e selecionado para aproveitar-se só o que interessa para o crescimento moral da criatura.

Conclui com saudação e recomendando a leitura da carta a todos irmãos (5:23-28).

- b) II Ts: Mais tarde, novas dúvidas surgiram ainda sobre a parusia, e Paulo atento à sua amada cristandade, intervém com outra carta para instruí-la e avisá-la contra os semeadores de falsas doutrinas. Foi escrita poucos meses após a primeira.

Solicita a atenção para, o justo juizo de Deus que dará a cada uma segundo os seus méritos (1:6-12)

Mostra a necessidade da vigilância em relação às revelações e que se deve ficar firme na fé.

Relembra a importância da oração e do trabalho para que o Espírito progrida sempre. Fala da importância de não ser pesado a ninguém, lembrando que a maior lição é dada pelo exemplo e recomenda: "Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer" (3: 10). Essa orientação já era dada no livro Genesis no cap. 3: 19 : "Comerás o teu pão com o suor do teu rosto".

Em O Livro dos Espíritos, no livro terceiro - "As Leis Morais", no cap III existe todo um tratado sobre a Lei do Trabalho - onde toda ocupação útil é trabalho (L.E., 675), todo trabalho é educação e todo trabalho é prece.

Conclui com saudação.

Bibliografia:

VIDA E ATOS DOS APÓSTOLOS - Cairbar Schutel.

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo Alves Godoy

CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda.

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo Alves Godoy.

O NOVO TESTAMENTO - (De preferência, uma edição comentada).

(1) PALAVRAS DE VIDA ETERNA. lição 120 - Emmanuel.

QUESTIONÁRIO

1 - Na Epístola aos Colossenses, qual o nome do gentio que fundou a comunidade religiosa de Colosso? Como era essa igreja?

2 - Onde foi escrita a Epístola aos Colossenses?

3 - Na Epístola a Filêmon Paulo fala sobre Onésimo. Quem foi esse personagem? E Filemon, quem era?

4 - Onde Paulo conheceu Onésimo?

5 - Na 1ª. Epístola aos Tessalonicenses, que marcas Paulo levava no corpo quando chegou a esse lugar? Com quem ele estava?

6 - Na mesma Epístola Paulo lembra a importância da oração e do trabalho. Para que finalidade?

7 - O que Paulo esclareceu quanto à parusia?




19ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO IV

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo aos Filipenses. De Paulo a Timóteo (Duas)

1 - Epístola de Paulo aos Filipenses (FI)

Filipos era uma cidade situada entre a Macedônia e a Trácia. Foi a primeira cidade européia que Paulo evangelizou (2ª. viagem); ele a chama sua "alegria e coroa" (4:1.) Ao saberem de sua prisão e padecimentos, os fiéis fílipenses enviaram-lhe auxílio monetário em Roma. Profundamente agradecido, Paulo lhes escreve de coração aberto. E' uma das "epístolas da prisão, juntamente com CL Ef e Fm.

Com uma sincera ação de graças a Deus, Paulo inicia sua carta rejubílando-se pela perseverança evangélica dos fiéis e dá-lhes o testemunho do seu amor.

Paulo comenta sua prisão e todo o processo que se seguiu, incluindo sua desditosa viagem de cativeiro e as oportunidades do progresso do Evangelho através disso.

Ao garantir suas esperanças de ser reconhecida sua sinceridade apostólica, reafirma: "Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é ganho" (1:21) Entretanto, continua exemplificando para sempre: "se o viver na carne é trabalho frutífero (..), permanecer na carne é necessário por vossa causa" (1:22-24). É sempre esse o seu testemunho de abnegação apostólica: renunciar por amor ao Cristo e a sua vontade.

Em troca do seu sacrifício, ele só pede que todos lutem pelos ensinos do Evangelho, pela prática do amor e pela fé.

Convoca todos à perseverança no amor fraternal e à unidade na humildade (cap. 2).

Paulo afirma aos Filipenses que se mantém em harmonia e paz graças ao "conforto que há em Cristo (pela sustentação, orientação, bálsamo e esperança); pela consolação que ele encontra no amor de todos e por todos; pela sua comunhão com a Espiritualidade Maior e pela ternura e compaixão que recebe agradecido a todos, onde se torna uma só alma, um só pensamento, no mesmo amor".

Nota-se, nesta passagem, que a energia dinâmica de Paulo perde a força biológica e ganha na força espiritual da humildade e da fraternidade.

Paulo está velho, cansado, sofrido, mas, a cada dia, mais forte em Cristo, pelo Evangelho redentor.

Ele estimula seus fiéis ao exemplo de Jesus, que tendo uma natureza excelsa, isto é, os dons sublimes de verbo de Deus (Jo I) não se considerava igual a Deus, antes despojou sua glória junto ao Pai, assumindo a condição de servo, tomando a semelhança humana (ver a transfíguração de Jesus, Lc 9:28), quer dizer em "homem como os outros", partilhando das condições do estágio hominal.

Com todo seu poder e autoridade moral, Jesus se humilhou e se submeteu, obedientemente, até o fim de sua tarefa planetária, comprovando aos homens comuns que à tempestade da luta, segue a bonança, da espiritualização. Por isso Deus o exaltou na ressurreição que é dada pelo Pai, tendo-se tomado tão superior aos anjos, quanto lhes é superior o nome que herdou (Hb I: 1-6).

Seguir a Jesus, continua Paulo, é operar a redenção pela abnegação sem reclamações, para "mesmo no meio de uma geração má e pervertida", se tornar puro, filho de Deus, luz no mundo, mensageiro da palavra da vida (2:15-16).

A partir do cap. 3, Paulo faz outras advertências aos filipenses, retomando outro assunto, o que levou muitos estudiosos a interpretarem como um bilhete independente.

Seu primeiro cuidado é com os falsos doutores da lei que, até hoje proliferam entre os incautos.

Lideres religiosos, quando falidos obreiros da vida eterna, são maus operários, cegos conduzindo cegos, túmulos caiados que se apegam a rituais que encobrem suas reais intenções (em quaisquer religiões).

O próprio Paulo relembra sua origem e passado judaico (filho de hebreus, diferente dos "gregos") (3:5), reconhecendo-se irrepreensível e sincero adepto da Lei de Moisés.

Mas desde que considerou Jesus como Mestre dos Mestres, ele tudo perdeu para ganhar a Cristo, não pela Justiça da Lei, mas pela justiça superior que vem de Deus (Seu atributo), justiça essa que ele, Paulo, apoiava na fé (a justiça com misericórdia).

Paulo fala da esperança de sua ressurreição, tal como Jesus. Enfatiza a humildade de não se reconhecer pronto para a redenção e afírma sua perseverança consciente na evoução do espirito (3:7 -12)

E ensina como caminhar: esquecendo-se do passado e avançando para o futuro, para a meta que vem de Deus, por Cristo Jesus (o caminho da verdade), com confiança e raciocínio (a fé pela razão) (3: 12-16).

Paulo exorta a alegria no Senhor, através do cumprimento dos deveres cristãos. Ensina que não há motivo para inquietação no espírito bom, mas todas as necessidades podem ser apresentadas a Deus, pela oração e pela súplica, em ação de graças. A paz de Deus, que excede toda a compreensão humana, guardará o coração e pensamentos de Seus filhos.

Para finalizar, o missivista aconselha seus irmãos a se ocuparem de tudo que é nobre, verdadeiro, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que mereça louvor, isto é, recomenda uma conduta ideal de vida, em todos os tempos, mesmo para a filosofia grega na época, mas recomenda-o sob a prática evangélica, isto é, mais do que pelo dever, seja o homem bom e justo pelo amor.

No final faz seus agradecimentos pelos auxílios enviados.

Ao explicar que sabe viver os momentos maus como os bons, pois tudo pode n 'Aquele que o fortalece, Paulo valoriza os cuidados e o carínho de seus irmãos da fé, pois comprovam a caridade e fraternidade que participam da aflição alheia.

2 - Primeira Epístola de Paulo a Timóteo (I Tm ou 1 Tm)

Paulo escreveu três epístolas denominadas Pastorais, pois são dirigidas aos pastores de almas das Comunidades religiosas, numa orientação direta e íntima sobre regras e observâncias dessas igrejas. Há dúvidas de que realmente sejam de Paulo. São duas cartas a Timóteo e uma a Tito.

No período da primeira epístola, Tímóteo estava em Éfeso (1:3) Tem por objetivo fixar as diretrizes para a organização e direção das comunidades; sobre o comportamento ético (como sempre). A I Tm foi escrita entre o 1º. e 2º. cativeiro em Roma, quando Paulo missionou em Creta e viajou à Espanha.

Após a saudação, Paulo vai direto aos assuntos de sua preocupação I - Lembra a Timóteo a razão de sua permanência em Éfeso, que era advertir alguns a não modificarem a doutrina (O Evangelho) ensinada; a não ficarem em discussões intermináveis (especulações judaicas relativas à genealogia dos Patriarcas e heróis do Antigo Testamento), coisas que não realizam os designios de Deus sobre os homens, mas, ao invés, deveriam cultivar a caridade, a consciência sadia e a fé.

O abuso da palavra deve ser evitado, principalmente entre os que não entendem o que dizem nem o que afirmam (l :7). Em todos os tempos, "pretensiosas autoridades nos pareceres gratuitos, espalham a perturbação geral adiam realizações edificantes, destroem grande parte dos germes do bem, envenenam fontes de generosidade e fé ... " (Vinha de Luz. lição 15, Emmanuel), no fim da pregação é a caridade de um coração puro, de uma consciência boa e de uma fé sincera" (1:5).

2 - Não há combate à lei mosaica. "que é boa se for usada legitimamente" (I :8): entretanto, lei existe para corrigir as iniqüidades, logo não é para os justos; ela indica os bons caminhos, mas não é a redenção em si.

3 - O Apóstolo convida Timóteo ao bom combate das suas responsabilidades com fé e boa consciência, pois sem princípios morais não há fé (1:18) .

4 - Paulo mostra a importância da oração (2: I). Aí encontra-se a recomendação do cultivo da prece, inclusive por todos os homens governantes e autoridades, para que possam ter paz com dignidade, única forma do conhecimento da verdade, pois há um só Deus e um só mediador. Jesus Cristo.

5 - Discorreu o Apóstolo sobre os deveres e comportamento das mulheres dos mentores das comunidades religiosas, pois elas saberão também fazer profissão de servir a Deus com boas obras. Mostra ainda um Paulo de Tarso radical quando afirma: "Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem" (2: 12) ... "mas ela será redimida na maternidade" .

Estas afirmações de Paulo são consideradas, por alguns estudiosos, como acréscimo, mas elas também estão inseridas em I Cor 11:3 e em Ef S :22-24. De qualquer forma, a frase "eu não permito" poderia indicar o consenso da época.

No capítulo 3, ele aborda as qualidades de um bom dirigente da comunidade, ensejando sobriedade, bom senso, competência e indulgência. Deve ser pacífico, ter uma só esposa, enfim, ser bom e digno.

Continua com a orientação a respeito das pessoas em geral (cap. 5), às viúvas, prescrevendo que toda fraternidade e boa vontade começam no lar, pois quem não sabe cuidar dos seus, não pode cuidar dos outros (como na parábola do Mordomo Infiel)

6 - Paulo reafírma a liberdade do espirito (cap. 6), pois até os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar-se livres em espírito. Ensinando como reconhecer o legítimo orientador espiritual destaca a piedade como primeira virtude de um ancião religioso, porque a raiz de todos os males é a ambição (6:3-10).

7 - Paulo estimula Timóteo (6: 11): "Mas tu, homem de Deus, foge destas coisas". Finaliza exortando-o à justiça, à fé, à piedade, à perseverança, à mansidão, como legitimas conquistas de um verdadeiro líder. É o bom combate para a vida eterna.

3 - Segunda Epístola a Timóteo (11 Tm ou 2 Tm)

É a última das cartas que Paulo escreveu.

Paulo está em Roma, no seu cativeiro final e pede a Timóteo que vá ter com ele. Temendo que não houvesse tempo para a chegada de Timóteo, o Apóstolo dos gentios escreve-lhe como um testamento espiritual, conforme afirma Emmanuel em "Paulo e Estêvão". II Tm é o testamento espiritual do Apóstolo a seu discípulo predileto, que chama de filho em I Tm 1:18.

Por ter tido Timóteo uma mãe e uma avó de fé e boa consciência cristã (1:5) e pelas bênçãos recebidas para suas tarefas, Paulo o exorta a reavivar sempre o dom de Deus pelo aprimoramento espiritual na prática e divulgação do Evangelho.

Geralmente o homem acomoda-se com a paz, esquece-se das lutas passadas para alcançá-la e não se previne contra os impulsos primitivos que podem ressurgir.

No caminho do bem encontra tropeços e tentações reais ligadas a esse passado. A própria vida humana é uma condição de influenciação primitivas. Foi esta a razão da admoestação de Paulo a Timóteo para que vivificasse sempre o "dom de Deus" em seu coração.

Não importa fugir do passado, importa renovar o espírito com saber e amor (Vinha de Luz, lição 30 - Emmanuel).

Paulo convida Timóteo para ser seu herdeiro espiritual e para transmitir suas palavras evangélicas a outros que sejam idôneos para ensinar. Quem ensina ou dirige algo, tem sempre que preparar continuadores, como fez o próprio Cristo.

"O bom discípulo assume sua parte de sofrimento na vida com serenidade, como um bom soldado do Cristo. O soldado não se envolve em questões civis, só deve satisfações aos seus superiores; o atleta (ainda que ganhe) não recebe a coroa se desonrar as regras; o lavrador deve ser o primeiro a gozar dos frutos" (Fonte Viva, lição 31 - Emmanuel)

Enfim, há trabalhadores de todas as classes, até a dos que fiscalizam o serviço do vizinho e se esquecem do seu. Mas quem semeia, colhe o mesmo acontece no campo espiritual: sem esforço nada se consegue.

Paulo fala do perigo dos falsos doutores religiosos (2:14). Diz que o bom cristão evita as discussões estéreis e estima a retidão da palavra da verdade; evita o falatório vão e inconsistente, pois a associação de palavras e pensamentos condena o homem. O verbo desregrado estimula a queda moral; cria a calúnia e o mexerico maledicente; é leviano e causa perturbações graves ao devedor.

"Deus criou a palavra, o homem engendrou o falatório", diz Emmanuel em Vinha de Luz, lição 73. O palavreado vão também é vicioso, um verdadeiro desvario da mente.

Quem segue Jesus não pode ser injusto ou inconseqüente. Paulo aconselha Timóteo a fugir das paixões traiçoeiras da mocidade, das questões insensatas e não educativas.

Todo servo de Jesus é manso como seu Senhor e com suavidade ensina e ama (Pão Nosso, lição 98 - Emmanuel). Paulo, a seguir, fala dos perigos dos últimos tempos, da perseverança e do Evangelho (cap. 3)

"Todos os que querem viver com piedade em Cristo serão perseguidos" (3:12). Como no tempo de Paulo, ainda hoje o discípulo fiel de Jesus sofre incompreensões, dificuldades e até perseguições.

A lição a Timóteo para perseverar no Evangelho de Jesus deve ser assimilada por todos os novos discípulos, porquanto a luta é a mesma: o bom combate da reforma íntima.

Paulo, no ocaso da vida, faz suas últimas recomendações (cap. 4). O Apóstolo diz que já foi "oferecido em libação" e está pronto para a partida Nos sacrifícios judaicos e pagãos, "oferecido em libação" consistia em encher uma taça de vinho ou óleo, prová-lo e derramá-lo sobre a vítima. Diz que combateu o seu bom combate, fazendo sua reforma íntima, transformando-se em Homem Novo e guardando a fé na justiça do Senhor (4:6-8).

Paulo sente-se feliz e convicto de ter cumprido sua missão: e roga a Timóteo que vi encontrá-lo o mais rápido possivel pois somente Lucas está com ele. Pede para trazer Marcos.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo Alyes Godoy.

ESTUDANDO O EVANGELHO - Martins Peralva.

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo Alves Godoy.

CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda.

O NOVO TESTAMENTO (De preferência em edição comentada).

QUESTIONÁRIO

1 - Qual foi a primeira cidade européia evangelizada por Paulo? Onde se situava?

2 - Na Epístola aos Filipenses diz Paulo: "o viver é Cristo, o morrer é ganho", o que significam essas palavras?

3 - Paulo afírma que apesar de estar velho e cansado, cada dia que passa ele se torna mais forte em Cristo. Qual o significado dessa afirmação?

4 - Paulo reconhece-se sincero e irrepreensível adepto da lei de Moisés. Por quê?

5 - Que são Epístolas Pastorais?

6 - Na 1." Epístola a Timóteo. Paulo adverte no sentido de não modificar a Doutrina. Por quê?

7 - O que Paulo recomenda as mulheres dos mentores religiosos? Por que a radical afirmação de Paulo de que a mulher não deve ensinar ou dominar o homem?


20ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO V

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo a Tito. De Paulo aos Hebreus

1 - Epístola de Paulo a Tito (Tt)

Esta é também epístola pastoral. Foi dirigida a Tito, presbítero de Creta.

Tito, um caráter firme e confiável era de origem pagã. Foi convertido por Paulo em sua 1ª. viagem. Foi enviado a Corinto para apaziguar a comunidade (2 Cor 7:5) e, mais tarde, Paulo o envia à sua terra natal.

Esta epístola foi escrita por volta do ano 64 (tal como I Tm), para estimulá-lo e recomendar-lhe novas que lhe evitassem as dificuldades exístentes.

Após a saudação de praxe, Paulo lembra a Tito a necessidade de se instituir presbíteros (anciãos) como chefes dos núcleos de cada cidade. Recomenda a requisição de homens dignos, de moral ilibada (1:5-7), pois todo ecônomo das coisas de Deus, deve ser irrepreensível e fiel na exposição da doutrina pura. (Ecônomo: pessoa encarregada da administração de uma propriedade ou instituição.)

O Apóstolo Paulo nunca se cansava de advertir, em suas epístolas, sobre os falsos doutores (1:10-16), pois muitos judeus convertidos aceitavam Jesus como profeta, mas não como Messias, acrescendo que queriam exigir a circuncisão para todos. A preocupação com um sincretismo perigoso foi o tom de Paulo em todas as missivas.

Diz Paulo (2: 1-10) que Tito deve permanecer firme nos seus ensinamentos, que homens e mulheres sejam sóbrios e dignos, moderados e íntegros, sendo ele mesmo (Tito) um exemplo de conduta, tanto na exposição do Evangelho como na vivência.

Na verdade, os ensinos de Jesus, quando assumidos consciente e integralmente modificam o pensamento do homem, mostrando-lhe como conhecer a si próprio, descobrir os prejuízos das paixões mundanas, produzir sua Reforma Íntima, vivendo no mundo com autodomínio, mas não separado do mundo.

Todo trabalho para ser bem elaborado, tem suas exigências e normas de conduta que se coadunam com os efeitos finais.

Ser zeloso no bom procedimento é compromisso do Aprendiz do Evangelho, assim como de todo bom cristão.

Paulo finaliza destacando o cuidado com os homens insensatos e facciosos (3: 9-11) Depois de uma ou duas admoestações, não se deve entrar em controvérsias inúteis, nem debates pela lei, pois quando o homem escolhe e combate a favor de um lado, ele é sempre responsável por suas ações.

2 - Epístola de Paulo aos Hebreus (Hb)

Escrita em 64 d.C. Os estudiosos do Evangelho e organizadores do NOVO Testamento duvidaram, à priori, de sua autenticidade, não quanto ao seu valor que é imenso, mas quanto à sua autoria. Em "Paulo e Estêvão", Emmanuel afirma que a carta foi escrita por Paulo e copiada por Aristarco, quando estava na sua prisão domiciliar em Roma.

Como o título indica, ela foi dirigida aos judeus da Judéia; mas não faltam argumentos para considerar que seus destinatários estão espalhados pelo Império Romano, onde os recém-convertidos sentem a dificuldade do exílio, sem o amparo de uma fé de base sólida. A carta relembra a superioridade do Cristo e o perigo da apostasia, pela nostalgia dos esplendores litúrgicos do culto judaico, arraigado em seus espíritos. (Apostasia: mudar de religião, ou de partido; desertar da fé; abandonar a fé de uma igreja.)

É em resumo um tratado da autoridade do Cristo, frente ao Judaísmo, como cumprimento evolutivo da Lei do Amor, onde a fé é o esteio da perseverança no Bem. Paulo afirmava que Deus, antigamente, "se comunicou muitas vezes e de maneiras diversas com nossos antepassados, segundo a evolução do homem". Depois do ciclo dos profetas, o Senhor da Vida houve por bem enviar seu Filho, não um porta-voz como os outros, mas aquele de quem Ele disse "Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho" (1:5).

O Filho tornou-se mais do que os Anjos (altos mensageiros de Deus). "Tu és meu Filho, hoje eu te gerei" (SI 2:7) e (Hb 1:5) e o Senhor Deus determinou que todos os anjos o adorassem (Dt 32:43) e (Hb 1:6).

"O teu trono é eterno e perpétuo, o teu cetro é de eqüidade" (SI 45:6) e (Hb 1:8).

Paulo tem o cuidado de usar várias vezes o Antigo Testamento para provar a glória de Jesus que foi descrita nos livros sagrados dos hebreus, pois falava ao seu povo.

A mensagem dada pelos Anjos na 1ª. Revelação é verdadeira (2:2), a que Jesus nos trouxe é complemento (Mt 5: 17). Se aceitamos a 1ª, como negligenciarmos a segunda, que é seu cumprimento?

Convinha, por isto, que o Cristo, por um pouco, participasse da condição de Filho do Homem, para provar a liberdade e realidade da Vida Maior (com a sua humildade e desprezo das paixões humanas para a gloriosa Ressurreição) (2:5-10).

O Apóstolo explica que tendo Jesus sofrido todas as tentações das iniqüidades da condição humana, provou aos seus irmãos menores que é capaz de socorrê-los nessas fraquezas, através de fé e das boas obras.

Paulo afirma que o Grande Apóstolo (enviado de Deus junto aos homens) e Sumo Sacerdote, que se compadece dos homens junto a Deus (4: 14), o Cristo e Messias prometido, era superior a Moisés que guardara fidelidade a Deus, como servo e testemunha das coisas que viriam, mas coube a Jesus uma glória tão superior a Moisés, quanto é superior a glória do construtor à da casa construída (3: 1-6).

O perigo da incredulidade é uma ameaça constante devida à dureza do coração humano (3: 12). Os discípulos de Jesus devem animar uns aos outros na sustentação dos momentos difíceis. Essa dureza de coração se traduz nas contínuas deficiências do homem que não resiste ao orgulho e à vaidade de se considerar sempre o maior e o melhor.

Moisés tirou os hebreus do Egito, entretanto, esses mesmos se revoltaram no deserto, onde tiveram que ficar por 40 anos para se renovarem, sem repouso (espiritual) (3:16-19).

Usando todo seu antigo conhecimento da Lei Mosaica, Paulo comprova a seqüência da história religiosa judaica como um trabalho contínuo do Plano Espiritual Maior.

Mostra aos hebreus que Jesus, o Filho de Deus, continuava seu sacerdócio divino nos céus (Espiritualidade Maior), onde se compadecia das fraquezas e ignorância humanas. O Cristo não se gloria por ser Representante Divino, mas Ele glorifíca a Deus (Jo 17: 1).

Após o ensinamento elementar a respeito do Cristo (cap. 6), Paulo procura penetrar e explicar a doutrina que anunciara. Tecendo palavras de esperança e encorajamento, exortando à paciência, à fé e à perseverança, lembrando a perseverança de Abraão, o patriarca dos judeus.

Diz Paulo que a esperança é a "âncora da alma" que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor entrou por nós, tomando-se o Sumo Sacerdote para sempre (6:18-20).

Do cap. 7 ao cap. 10 da epístola, há três grandes subdivisões:

1 - Superioridade da missão de Jesus sobre os sacerdotes levitas.

O sacerdócio de Jesus não é segundo a regra da conduta na vida material (conforme os levitas), mas para o poder de uma vida eterna imperecível (7:16) "Meu Reino não é deste mundo", Jo 18:36.) O sacerdócio levítico teve fim, mas o de Cristo é eterno.

2 - Continuando sua exposição aos judeus-cristãos, o Apóstolo fala que o ritual de dádivas e sacrifícios sacerdotais eram "sombra das realidades celestes" (8:5): mas o Cristo tem ministério superior, porque é o único intermediário de um Novo Testamento (Nova Aliança), mais perfeito e completo do que o primeiro (8:7) o que foi previsto por Jeremias (Jr 31:31).

O Espiritismo diz que o sacrifício deve ser íntimo: da animalidade em favor da espiritualidade do homem. É o sacrifício das ilusões e paixões da carne.

3 - Mostra Paulo que o sacrificio de Cristo nos trouxe redenção eterna e, então, é superior aos sacrificios mosaicos, que eram transitórios e humanos (cap. 9).

Sacrifícios exteriores não redimem e, muito menos, santificam ou modificam alguém. Não há sangue de touro ou bode que elimine pecado (10:4), complementa Paulo. Nem sacrificio, nem oferendas, nem holocaustos, nem promessas vãs que dependam de outrem (cap. 9: 10; 1-10).

Jesus ensinou o sacrificio da oferenda de si mesmo em renúncia sublime na promessa da Vida Maior. A eficácia do seu sacrificio se traduz na fé, na esperança, na caridade que em todos os tempos convida o homem à redenção.

Aos hebreus, no capítulo 11 Paulo fala da natureza da fé. Diz que os momentos de transição são os mais dificeis e exigem perseverança e constância na fé para evitar o perigo da apostasia. Quando o sofrimennto surge, o homem se joga intempestivamente a várias portas, em busca da paz, esquecendo-se que ela está dentro dele mesmo.

A fé perseverante se toma vitoriosa pelas ações edificantes. "A fé que não ajuda, não instrui, nem consola, não passa de escura vaidade do coração"(1).

Escreve Paulo que "a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem" (11: 1).

A fé é a confiança que se anima com a esperança, ganha alento com a caridade e se realiza na luz da verdade. Os antigos hebreus tiveram fé exemplar, continua Paulo aos seus conterrâneos. Sem crer em Deus, é impossível aproximar-se dEle. Assim provaram Noé, Abraão, Moisés e outros.

A fé é uma certeza intuitiva fincada na razão para não se tornar cega e inútil. Também a fé serve de base à razão que nela se desenvolve: é a fé raciocinada.

No cap. XI, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 13, Kardec explana sobre o assunto e, no cap. XX, ele estuda os aspectos imanentes e transcendentes da fé. O imanente é a fé humana, esta força interior que leva o homem à realização de um ideal. O transcendente é a fé que o conduz a Deus: é a fé que liberta porque reconhece e confia em Deus, o Pai Supremo e Misericordioso.

Conclamando a paternidade de Deus, Paulo argumenta racionalmente que se os pais segundo a carne amam e educam, segundo seus conhecimentos, impondo aos filhos corretivos: a mesma coisa faz o Pai que está no Céu, agindo dentro de Suas Leis Divinas, perfeitas e imutáveis disciplinando-nos para aproveitamento, para nosso bem, a fim de sermos participantes da Sua santidade (12:4-10).

O homem somente vê o momento e sente a tristeza por sofrer, mas toda disciplina "produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados" (12:11).

A infidelidade é o caminho contrário à retidão das leis morais. Aí é citado o exemplo de Esaú (12: 16-17), que por leviandade trocou seu direito de primogenitura por um repasto e depois foi rejeitado, e foi grande o seu arrependimento (Gênesis, 25:33).

Finalizando a carta, mostra Paulo o contraste entre o Sinai e o Monte Sião. De um lado trombetas e tempestades ameaçadoras, que até Moisés se disse "aterrado e trêmulo" (12:21), e de outro o Deus vivo envia Seu Filho Amado à "Jerusalém celeste, com incontáveis hostes de anjos". O Mediador manso e meigo orienta a "Nova Aliança"; a ressurreição para a Vida Eterna através do código moral dos Espiritos o Evangelho (12: 22-24).

E ele termina a carta com exortação para a vida cristã e para a fidelidade na vida comunitária.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo A. Godoy.

ESTUDANDO O EVANGELHO - Martins Peralva

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo A. Godoy.

CRISTIANISMO A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda

O NOVO TESTAMENTO - (de preferência uma edição comentada).

(1) JESUS NO LAR lição 32 - Néio Lúcio.

QUESTIONÁRIO

1 - Quem era e como era Tito?

2 - Na Epístola a Tito, qual foi a recomendação de Paulo logo após a saudação inicial?

3 - Na Epístola a Tito nota-se que todos os judeus aceitavam Jesus como sendo o Messias?

4 - Epístola aos Hebreus: Para quem foi ela dirigida?

5 - Quem copiou a carta de Paulo dirigida aos Hebreus?

6 - Como usava Paulo o Antigo Testamento para provar a glória do Cristo?

7 - Podem os sacrifícios exteriores redimir o Espírito?


21ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO VI

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - Epístolas Universais.

1 - De Tiago, Pedro, João e Judas

Introdução

Existem sete epístolas no Novo Testamento conhecidas por "Católicas", ou seja, Universais", pelo fato de serem dirigidas aos cristãos em geral e não só à comunidade e a particulares como as de Paulo. Elas foram escritas por Tiago Menor (uma), Pedro (duas), João (três) e Judas (uma). Evidentemente que a 2ª. e a 3ª. epístolas de João não têm a caraterística de universalidade: então, foram ligadas à 1ª. Epístola de João.

A epístola de Tiago somente foi aceita pelos cristãos a partir do século IV. Tiago recomenda a prática da palavra do Senhor: "a fé sem obra é morta" (Tg 2:17). Pedro indica os requisitos da nova vida e mostra os deveres dos cristãos. João ensina como "caminhar na luz" e viver como filhos de Deus com fé e caridade. Judas, "irmão de Tiago, servo do Cristo", adverte sobre os falsos doutores.

2 - Epístola de Tiago (Tg)

Mas, quem é este Tiago? Há dúvidas a respeito, porque o Novo Testamento é impreciso. Certamente que não é o Tiago, chamado Maior, irmão de João, o Evangelista, filho de Zebedeu; pois sabe-se que no ano 44 d.C.. Herodes Agripa I mandou passar a fio de espada o Tiago Maior (At 12:1-2). Mas, o Novo Testamento refere-se a dois outros Tiagos: -1) Tiago, filho de Alfeu: Mt 10:3; Mc 3:18; Lc 6:15; At, 1:13; este Tiago é um dos Doze Apóstolos. E quem é Alfeu? Além de ser apontado como pai do Apóstolo Tiago, Mc 2: 14 diz que ele é pai de Levi (que é o Mateus). Mas, pensa-se que este 2.° Alfeu não seja o 1º.

b) Tiago, irmão de Jesus (o "irmão do Senhor"); Mt 13:55: Mc 6:3; Gl 2:19: e, então, além desse Tiago, Jesus tinha outros irmãos: José Simão e Judas; e tinha irmãs também (Mt 13:55 e Mc 6:3). Este Tiago foi o chefe da "comunidade" (igreja) de Jerusalém (At 12:17). Tomou parte decisiva na "Assembléia (Concílio) de Jerusalém" (At 15:13-23), em 49/50 d.C. Mais tarde, é a ele e aos anciãos (presbíteros) que Paulo apresentou um relatório de suas atividades (At 21: 18). A ele, Jesus apareceu pessoalmente (I Cor 15:7).

GI 2:9 fala da polêmica de Paulo com Tiago, Cefas e João, as "Colunas" da igreja.

Este Tiago foi martirizado no ano 62 d.C., vítima do fanatismo do Sinédrio.

Ele seria o autor da Epístola.

E seria o Tiago chamado "o Menor" em Mc 15:40? Não se sabe, mas pensa-se que este título seja do Tiago, filho de Alfeu. E aí o problema aumenta, porque combinando-se Mt 27:56 e Mc 15:40, com Mt 13:55 e Mc 6:3, o Tiago Menor é o irmão de Jesus, de José e outros.

Para aumentar a confusão, Lc 6: 16 fala em um Tiago (outro?) pai de Judas.

O Tiago autor da Epístola, irmão de Jesus, teria sido um dos Doze Apóstolos? Parece que não; porque ele próprio na introdução de sua Epistola (Tg 1: I) não se apresenta como tal: o Apóstolo seria o "filho de Alfeu'.

Quando a carta teria sido escrita? Deve ser anterior a 62 d.C., data da morte do Tiago. Alguns propõem uma data entre 35 c 50 d.C.

A carta, escrita em excelente grego, foi dirigida aos judeus-cristãos disseminados pelo mundo grego.

Está dividida em três partes: -

1ª.) A verdadeira Alegria consiste: a) em suportar as tribulações e tentações: 1:2-8; 1:12-18; b) em suportar a pobreza: 1:9-11; c) na prática do bem: 1:19-25.

2ª-) A verdadeira Religião consiste: a) em evitar a ambição material: 2:1-13: b) nas boas obras: 2:14-26, em refrear a língua 3:1-12.

3ª.) A verdadeira Sabedoria consiste: a) em refrear as paixões: 3: 13, 4:12: b) em desprezar as riquezas: 4:14; 5:6: c) na paciência: 5:7-12.

Além dessas três partes, em um Apêndice trata de: a) assistência aos enfermos: 5:13-15: b) oração: 5:16-18: c) correção fraterna: 5:19-20.

São antológicas algumas passagens da Epístola de Tiago: - I) Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Tornai-vos praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg I: 19-25).

2) Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear sua língua, a sua religião é vã (Tg 1:26)

3) Não se deve fazer acepção de pessoas (Tg 2: 1-13).

4) A fé sem obras é morta. - Qual é o proveito se alguém disser que tem fé, mas não tem obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se alguém estiver necessitado de roupa e de alimento, e qualquer dentre vós lhe disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem contudo lhe dardes o necessário para a corpo, qual é o proveito disso? - Assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta (Tg 2:14-26).

5) O cristão tem de refrear a língua. - A língua é fogo; é mundo de iniqüidade; ela é um dos membros do nosso corpo e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como é posta em chamas ela mesma pelo inferno. Toda espécie de feras, de aves, de répteis, de seres marinhos, se doma e tem sido domada; a língua, porém nenhum homem é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero (Tg 3: 1-12).

6) Deus condena as riquezas mal adquiridas e as mal empregadas (Tg 5:1-6)

7) Não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; mas, seja o vosso sim, sim, e vosso não, não, para não cairdes em julgamento (Tg 5:12) (e Mt 5:34-37).

8) Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.

Está alguém doente? Faça oração sobre ele e a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o levantará (Tg 5:13-15).

9) As palavras finais da carta são: - "Meus irmãos, se algum dentre vós se desviar da verdade e alguém o reconduzír, sabei que aquele que converte o pecador de seu caminho errado salvará uma alma da morte, e cobrirá uma multidão de pecados (Tg 5:19-20)

Epístolas de Pedro são duas: I Pe e II Pe.

3 - Primeira Epístola de Pedro (I Pe ou 1 Pe)

Escrita um pouco antes do martírio do Apóstolo Pedro em Roma, talvez em 63 ou 64 d.C. Escrita em grego. O secretário foi Silvano (At 5:12), que é o mesmo Silas. É dirigida aos judeus-cristãos da Diáspora. Sua finalidade é sustentar a fé, com perseverança nas atribulações, naqueles que são de Cristo, no confronto com os que são do mundo.

Nos seus 5 capítulos encontram-se como temas principais:

A LUZ DA VERDADE: Pela revelação e pela fé (na herança concedida pelo Pai) e os requisitos de Renovação mental para a nova vida, através da regeneração pelos ensinos morais cristãos (cap. I).

Deus não faz acepção de pessoas e julga segundo as obras de cada um (1:17).

A JUSTIÇA: Os deveres do cristão para com todos, cuja obrigação maior é ser justo e bom até para com aqueles que o ofendeu, respeitar as autoridades constituídas; ser paciente, digno no casamento e com a familia; ser livre, mas não abusar desta liberdade para o mal antes construir o bem.

Ser compassivo, fraterno, misericordioso e humilde de espírito, para ser digno da Herança Divina (caps. 2 e 3)

Enfim, honrar para ser honrado.

A LIBERDADE: Lutar contra os erros, vícios e defeitos (iniqüidades) para viver segundo a vontade de Deus, aplicando-se isso tanto aos encarnados como desencarnados (4:6).

O AMOR: Ser bom, com vigilância moral, praticar a ajuda mútua, usar a Boa Nova como exemplificação.

Em 4: 12-19, Pedro aclama a felicidade daquele que sofreu com Cristo (Bem-Aventurados os que Sofrem) e cita o Provérbio: "Se o justo com dificuldade consegue redimir-se, em que situação ficará o Ímpio e pecador? (Provérbio 11:31 Antigo Testamento).

Fala que "está próximo o fim de todas as coisas", recomendando sobriedade e vigilância em oração, "mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de pecados" (4:7-8).

Diz Pedro, praticamente, o mesmo ensinamento com que Tiago encerrou sua epístola.

No encerramento, diz Pedro: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo" (I Pd 5:8-9).

E nas saudações finais: "Aquela, também eleita, que se encontra em Babilônia, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos" (I Pe 5: 13). "Babilônia" aí é o nome simbólico de Roma, empregado pelos cristãos.

4 - Segunda Epístola de Pedro (11 Pe ou 2 Pe)

Escrita talvez entre 64 e 67 d. C. Muitos negam a autenticidade da 11 Pe, pois o estilo é muito diferente da I Pe, o que pode ser atribuído ao fato de ter sido outro o escriba. A finalidade principal de II Pe, é combater as futuras heresias.

No cap. 1º., Pedro assinala a liberalidade de Deus com seus fílhos na reafirmação da Herança Divina.

Por amor a seus filhos, enviou seu Filho em sua "glória e virtude" para que todos o conhecessem e participassem da natureza divina. Indica, então, como evoluir para ser merecedor das recompensas.

No depoimento apostólico, que soa como despedida (ver 1:13-15), declara ter sido testemunha ocular da transfiguração do Mestre (Mt 17: 1:1-8): relembra as profecias das Escrituras que já anunciavam a glória do Messias.

Para isso, recorda as lições do passado, reafirma Deus justo e misericordioso. Todo erro tem o momento de transformação que se pode chamar de castigo, expiação ou reajuste, pois toda ação tem sua reação condizente.

Chegando ao terceiro e último capítulo, esclarece a oportunidade desta epístola que é despertar o homem pela fé e moral prática, exortando-o a não se levar pelo materialismo, pois que não sabe quando o Senhor o chamará. Fala da dificuldade de às vezes Paulo ser entendido (3:15-16).

Alerta, então, para que as dificuldades doutrinárias não se tornem discussões estéreis que sufocam o pensamento. "Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos: não suceda que arrastados pelo erro desses insubordinados, venhais a decair da própria firmeza" (3: 17).

5 - Epístolas de João (I Jo, II e III Jo) (ou 1 Jo, 2 Jo e 3 Jo)

O Apóstolo João deixou três epístolas cuja literatura doutrinal se assemelha ao conteúdo do seu Evangelho. A II Jo e III Jo são duas cartas endereçadas a destinatários específicos, não universais.

Em virtude de sua primeira carta ser a mais completa, as outras duas são como ligeiras mensagens, aqui estuda-se apenas a I Jo.

A finalidade da Epístola é combater as heresias. Exorta os discípulos a serem fiéis à "doutrina que receberam desde o princípio".

João chama a atenção para os seguintes aspectos:

1 ) Caminhar na Luz (cap. 1º. e 2º.)

Deus é luz, não se pode estar com Deus e viver na iquidade social, moral e espiritual.

A palavra de Deus é a Fonte da Vida e seu verbo encarnado, Jesus, nos trouxe essa palavra que é luz e amor e se reconhece pela fé e fraternidade.

A "luz" ilumina os caminhos da evolução e a 1ª. condição do Aprendiz do Evangelho é combater o pecado (1:7-8), isto é, conscientizar-se dos erros, (ser e não parecer), erradicando-os no conhecimento e prática das virtudes.

A 2ª. condição é observar os mandamentos, principalmente o da caridade. Quem diz "Eu os conheço" mas não os pratica, não guarda a verdade, não está com Deus (2:4). As leis de afinidade e sintonia regem as relações comportamentais, pois tudo é vibração e vida no Universo.

A 3ª. condição é não amar o mundo e as coisas que há nele, suas paixões, suas ilusões que induzem o homem ao mal (2: 15-17), como a cobiça da riqueza, o orgulho, a concupiscência, a vaidade desequilibrada. etc. Viver no mundo, mas não ser do mundo, é o equilíbrio para aprender servir e evoluir.

A 4ª. condição é ter cuidado com os "Anticristos", isto é, com aqueles que dizem pertencer ao meio da fé, mas antes que tudo se enfurecem com a verdade da palavra, distorcendo-a (2: 18-24). Como reconhecê-los? É todo aqude que nega o Pai e o Filho nas suas manifestações de amor e misericórdia, como nos seus mandamentos.

2) Viver como Filhos de Deus (Cap. 3):

Todo filho deve se mostrar digno do Pai.

A dignidade é uma conquista, uma autoridade moral, qualidade de quem é digno, isto é, merecedor da nobreza espiritual; logo requisita as mesmas quatro condições do "caminhar na luz" (descritas acima).

Ao opor-se as iniqüidades, o princípio da reforma íntima se efetua (3:3); ao observar os mandamentos, destaca-se que "Fora da caridade, não há salvação".

É de relevante importância a advertência de João contida no cap. 4 vers. 1(4:1): "Amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo". Isso prova que no Cristianismo original os seguidores de Jesus mantinham intercâmbio com os Espíritos: se não, para que a advertência de João?.

A seguir, João adverte que é de Deus o Espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne (4:2): logo é errada a tese de que Jesus veio em corpo fluídico, não de carne.

Esta é a mensagem: que nos amemos uns aos outros" (4:7 e segs.): tendo cuidado com os falsos profetas, através da análise do conteúdo de suas mensagens e de seus atos, pois pelos frutos se conhece a árvore.

3) As fontes do caridade e da fé

Cheio de amor, o Apóstolo João continua recomendando a Fonte da Caridade; o amor, conjunto de todas as virtudes.

Quem não ama com pureza de sentimento, não conhece a Deus, porque Deus é amor (4:8): e o amor de Deus nos acompanha em manifestações de misericórdia e progresso.

Afirma: ninguém jamais viu a Deus (4: 12), mas se nos amarmos uns aos outros Ele permanecerá em nós e nós nEle.

"Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso: pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê. Temos da parte de Deus este mandamento: aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão" (4:20-21).

A fonte da fé: Jesus Cristo, o testemunho de Deus em seu Filho Amado.

Quem crê em Jesus é vencedor do mundo (5:5). pois no sentido profundo se eleva acima de suas deficiências, aprimora-se na renovação mental, é testemunho do Evangelho redentor.

Finalizando, João estimula a fé na oração intima e pelos semelhantes (intercessão) (5: 13-17).

6 - Epístola de Judas (Jd)

Na epistola, Judas denomina-se irmão de Tiago, servo de Jesus Cristo: logo, seria Apóstolo e também irmão de Jesus (Mt 13:55 e Mc 6:3).

É o mesmo que hoje se conhece com o nome de Judas Tadeu.

A Epístola foí escrita talvez pelo ano 70 d.C.; mas só foí aceita como escrítura canônica pela maioria das igrejas, lá pelo ano 200 d.C., talvez porque faça uso de escritos apócrifos, tal como a "Assunção de Moisés" (no vers, 9) e "Henoc" (nos vers. 14 e 15).

A intenção de Judas parece ser a de estigmatizar os falsos doutores, quer dizer, o destaque do conteúdo da Epístola é a preservação da Doutrina contra os falsos profetas ou doutores que se dizem conhecedores dela, mas que, com malicia e degradação, colocam em risco a fé cristã.

Censura a licenciosidade e a impiedade, que podem ter existido no meio cristão desde o século 1, sob a influência do sincretismo pagão e que foram igualmente combatidas nas Epístolas de Paulo.

Alerta quanto a necessidade do "combate pela fé" o que foi predito pelos Apóstolos (uma equivalêncía ao bom combate de Paulo), pelo engrandecimento espiritual da criatura (vers. 3). Relembra quanto à divisão causada pelos seguidores da iniqüidade (vers. 17 a 19) e aconselha a edificação de cada um na esperança e misericórdia de Jesus, exortando os fiéis à caridade.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo Alves Godoy

ESTUDANDO O EVANGELHO - Martins Peralva

CRlSTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA- Hermínio C. Miranda

O NOVO TESTAMENTO - (de preferência uma edição comentada).

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo A. Godoy.

QUESTIONÁRIO

1 - Como são denominadas as Epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas? Por quê?

2 - Existiram dois Tiagos no apostolado de Jesus: Tiago Maior e Tiago Menor. Qual deles escreveu a Epístola?

3 - Como Tiago encara as boas obras?

4 - Qual a finalidade da 1ª. Epístola de Pedro? e da 2ª?

5 - Quantas Epístolas João deixou? Como reconhecer os "Anticristos"?

6 - A partir de quando foi aceita a Epístola de Judas? Por quê?

7 - Qual a finalidade da Epístola de Judas?

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