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Curso Básico Espiritismo 2º ano FEESP - III

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14ª.AULA- 18/05/05
LEI DE IGUALDADE

A) Igualdade Natural — Desigualdade de Aptidões — Desigualdades Sociais - Igualdade Natural

Todos os homens são iguais perante Deus. Todos tendem para o mesmo fim e Deus fez as suas leis para todos (LÊ, 803). Vale dizer, que Deus não concedeu superioridade natural a nenhum homem, nem pelo nascimento, nem pela morte, pois todos estão submetidos às mesmas leis naturais: todos nascem com a mesma fragilidade, passam pelas mesmas tribulações que caracterizam a condição humana e todos têm em comum um mesmo princípio e a mesma destinação — esta é a essência da igualdade natural que caracteriza o ser humano.

Desigualdade de Aptidões

Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições; a diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio; daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas (LÊ, 804). Portanto, as diferenças que os homens apresentam entre si, quer em inteligência, quer em desenvolvimento moral, não derivam da sua natureza íntima; resultam antes de dois fatores a considerar:

l — No maior ou menor desempenho de suas potencialidades, no desenvolvimento ou não das aptidões e virtudes, enfim, no bom ou no mau uso do livre-arbítrio por parte de cada um; disto decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes confere aptidões mais diversificadas.

2 — Sendo os diversos mundos solidários entre si, os habitantes dos mundos superiores reencarnam em mundos mais atrasados como Espíritos missionários para aprimorar o progresso intelectual e moral, através de seus exemplos. Partindo da premissa de que os Espíritos não mais regridem no seu progresso, tem-se que, ao passar de um mundo superior para um inferior, conservarão integralmente as faculdades e aptidões adquiridas; conseqüentemente, tal fato acentua ainda mais as desigualdades de aptidões que existem entre os homens.

Deus não criou, portanto, Espíritos com faculdades desiguais, mas permitiu que Espíritos com os mais diversos graus de desenvolvimento estivessem em contato entre si para auxiliar a evolução dos mais atrasados e, em necessitando uns dos outros, cumprissem a lei do amor. Tal fato explica porque o misto de aptidões é necessário, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, respeitando-se, evidentemente, os limites das forças físicas e intelectuais; neste contexto, o que um não tem condições de fazer, o outro fará e assim é que cada um desempenhará um papel útil dentro da Criação.

Desigualdades Sociais

As desigualdades sociais não se enquadram nas leis naturais porque não são obra de Deus, e sim consequência do orgulho e do egoísmo do próprio homem. Contudo, à medida que a humanidade avançar no seu progresso moral, essas desigualdades tenderão a desaparecer, e restando tão somente a desigualdade fruto do mérito e das virtudes adquiridas pelo homem. Somente então as criaturas se reconhecerão como filhos de Deus e se amarão como irmãos, e não se avaliarão mais pelo sangue, nem pelo papel que ocupam na sociedade, mas sim pelo evolução moral do Espírito, que independe da condição social.

No tocante àqueles que se aproveitam da superioridade da sua posição social para oprimir os mais fracos, serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer (LÊ, 807).

B) Desigualdades das Riquezas — Provas da Riqueza e da Miséria -

Desigualdades das Riquezas

A desigualdade das riquezas nem sempre se origina das diferentes faculdades, ou dos mais variados recursos de que alguns dispõem para adquirir mais bens do que outros; muitas vezes é também fruto de falcatruas, injustiças e outros meios ilícitos de que laçam mãos os que ainda se deixam levar pela cobiça e pela posse de bens materiais. Mas, convém ressaltar que herdeiros de fortunas amealhadas desta fonna não são responsáveis pelo mal que seus antepassados fizeram, principalmente se desconhecem tal fato.

É preciso considerar que muitas vezes uma fortuna vem parar providencialmente nas mãos de um homem, justamente para que ele tenha a oportunidade de reparar uma injustiça cometida. Se estiver ao alcance deste homem compreender a necessidade moral de reparar este mal cometido por outrem, será então um homem justo e, como tal, feliz e a reparação da falta será levada em conta para ambos.

A igualdade absoluta das riquezas jamais existiu e tampouco poderá existir, pois a própria diversidade das faculdades e diferentes aptidões entre os homens impediriam que assim fosse; o que importa é combater, antes de tudo, o egoísmo para que as relações sociais sejam sempre fraternas. Somente assim, o relativo bem-estar de todos será meta passível de ser atingida pelos homens quando, entre eles, o sentimento de fraternidade sobrepujar-se ao egoísmo e a verdadeira justiça for finalmente praticada.

Aqueles, portanto, que acreditam que a cura para os males que afligem a sociedade está na igualdade absoluta das riquezas, estão enganados, pois não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das circunstâncias. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras (LÊ, 811a).

Provas da Riqueza e da Miséria

A diversidade de riquezas e de misérias tem uma finalidade útil : a de provar as almas no excesso e na submissão. Assim, os que sofrem com resignação, sem murmurações e com trabalho constante, conseguem superar suas provas. Pelo arrastamento ao mal a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova arriscada, mais perigosa que a da pobreza; é o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. Ë o mais estreito laço que prende o homem à Terra.

Deus concede provas a seus filhos, que têm, às vezes, a possibilidade de as escolherem antes das reencamações, podendo, por isso, nascerem na abastança ou na miséria. Ambas as provas apresentam facetas diferentes, mas tanto o rico quanto o pobre podem fracassar. O primeiro por não fazer o bem, e o segundo pelas queixas contra a Providência. O rico está mais sujeito às tentações, mas dispõe de meios de praticar o bem; mas isso é justamente o que nem sempre faz, pois se torna egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam, e cie nunca julga possuir o bastante para satisfazer a sua ambição.

A riqueza também pode ser um fator para a redenção do Espírito, quando dela sabe servir-se, empregando-a com critério e discernimento. Enquanto para uns a pobreza é a prova da paciência e da resignação, a riqueza é para outros o exercício da caridade e da abnegação. Qual é, pois, o melhor emprego da fortuna? Procurai nestas palavras: "Amai-vos uns aos outros", a solução do problema; aí está o segredo de hem empregar as riquezas. Aquele que está animado de amor ao próximo tem sua linha de conduta toda traçada, pois o emprego que apraz a Deus é o da caridade; não essa caridade fria e egoísta que consiste em derramar em torno de si o supérfluo de uma existência dourada, mas essa caridade cheia de amor que procura o infeliz e o reergue sem humilhá-lo (ESE, Cap. XVï, item 11).

C) Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher — Igualdade Perante o Túmulo

Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher

A Doutrina Espírita esclarece que tanto o homem quanto a mulher são Espíritos da mesma natureza, criados por Deus com os mesmo talentos e aptidões, com os mesmo direitos e deveres; ambos têm o discernimento do bem e do mal, e ambos têm a faculdade de evoluir, em igualdade de condições. Deste modo, a suposta inferioridade social e moral da mulher é consequência do abuso da força e autoridade do homem, mais forte fisicamente.

Com a evolução gradativa das relações sociais, os horizontes vão alargando-se e, sob o impulso da Lei de Amor e da Lei de Sociedade, a mulher pôde desenvolver suas aptidões sem grandes constrangimentos; com isto, tornou-se evidente que a condição feminina de inferioridade em relação à masculina não decorria de imposição divina, mas tão somente do domínio injusto e cruel que o homem exerceu sobre ela (LÊ, 818).

Assim, o homem e a mulher têm direitos iguais, embora tenham aptidões diferentes a desempenharem na sociedade. O homem é fisicamente mais forte para os trabalhos mais rudes e a mulher, mais delicada, para os trabalhos mais leves. Ambos devem ajudar-se mutuamente nas provas da vida, e não simplesmente o mais forte subjugar o mais fraco, escravizando-o. A mulher está preparada biologicamente para a tarefa da maternidade e, se de um lado, tem menor força física, de outro, tem maior sensibilidade para o exercício das funções maternais.

Do exposto conclui-se que sendo os seres humanos iguais perante as Leis de Deus, deverão também ser iguais perante as leis dos homens, pois o princípio da Lei de Amor fundamenta-se na máxima cristã: "Não fazer aos outros o que não gostaria que os outros lhe fizessem". Portanto, a lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade de direitos entre o homem e a mulher; todo privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua escravização marcha com a barbárie (LÊ, 822a). Além do mais, as diferenças sexuais só existem no organismo físico e, portanto, os Espíritos podem reencarnar tanto na condição feminina quanto masculina; sob esse aspecto, e corroborando a citação acima, nenhuma diferença existe entre ambos.

Igualdade Perante o Túmulo

A perpetuação da memória por meio de monumentos fúnebres é o último ato de orgulho dos familiares e amigos, desejosos de se glorificarem a si mesmos, em nítida demonstração de riqueza. Pelo fato de a igualdade entre os homens não cessar com a desencarnação, a saudade de um ser amado reveste-se da mesma importância para os parentes que nada possuem, mesmo que em seu túmulo não haja nada de suntuoso. É em vão que o rico tenta perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como aos seus próprios corpos. Assim o quer a Natureza (LÊ, 824).

As pompas fúnebres são justas e de bom exemplo quando homena­geiam a memória de um homem de bem, mas não apagarão as más ações de todo aquele que não soube viver de acordo com a moral cristã. Conseqüentemente, tais pompas de nada valerão e tampouco o ajuda­rão na sua ascensão espiritual.

Bibliografia:L.E, 817 a 824

QUESTIONÁRIO

a) igualdade natural — desigualdade de aptidões — desigualdades sociais:

1) Se todos são iguais perante Deus, como explicar a desigualdade de aptidões?

2) As desigualdades das condições sociais é uma lei natural? Explicar.

3) Pode-se esperar que as desigualdades sociais venham a desaparecer um dia? Desenvolva.

b) desigualdade das riquezas — provas da riqueza e da miséria:

1) Como se explica a desigualdade de riquezas?

2) Se uma fortuna foi mal adquirida, os herdeiros também serão responsáveis por isso?

3) Qual das duas provas é mais perigosa para o homem: a da pobreza ou da riqueza?

c) igualdade dos direitos do homem e da mulher — igualdade perante o túmulo:

1) É certo que homem e mulher tenham os mesmos direitos? Por quê?

2) Por que a tendência em perpetuar a memória dos mortos?

3) Como a Doutrina Espírita considera as pompas fúnebres?


15ª.AULA - 25/05/05
LEI DE LIBERDADE

A) Liberdade Natural — Escravidão — Liberdade de Pensamento e de Consciência

Liberdade Natural

O homem é um ser gregário por natureza, vive em grupo e, desde que haja dois homens juntos, há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta. (LÊ 826). A liberdade e o direito de um terminam, onde começam a liberdade e o direito do outro. Vê-se assim que, segundo a Lei Natural, a liberdade é relativa como decorrência da natureza social do homem, ou seja, a Lei de Sociedade que lhe é imanente.

Mas onde está o limite da liberdade? Como defini-lo? Quando saber que se está entrando na seara alheia, ou está se aproveitando dela? A resposta está no ensinamento de Jesus: Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam. Eis o princípio da Lei da Justiça Divina, que marca o limite dos direitos e da liberdade de um em relação ao outro. Liberdade não é o homem entregar-se aos impulsos e instintos inferiores, mas a emancipação da alma dos vínculos primários da matéria, assim como na espontaneidade com que vivência o respeito a outrem em uma ação moral. Qualquer ação ofensiva à liberdade ou ao direito de outrem gera responsabilidade, que será registrada na consciência, pois segundo a Lei da Igualdade, não existem privilégios perante Deus.

Quanto mais inteligência tenha o homem para compreender um princípio, menos escusável será de não o aplicar a si mesmo (LÊ 828a). Desta forma a liberdade é tanto maior para a alma que age segundo os ditames da própria consciência. Por outro lado. quanto mais cresça em conhecimentos e possibilidades, neste ou naquele sentido, mais caminhos se desdobram à sua visão, constrangendo-o a vigiar sobre suas escolhas.

Escravidão

Embora se tenha liberdade de escolha, de ser e de agir, essa liberdade termina no limite em que ameaça a liberdade do outro. Desta forma, toda sujeição absoluta de um homem a outro é contrária à Lei de Deus. A escravidão é um abuso da força e desaparecerá com o progresso, como pouco a pouco desaparecerão todos os abusos (LÊ, 829). Quando o homem fizer melhor uso de sua inteligência, e agir sobretudo impulsionado pelo sentimento autêntico do amor. não mais haverá fornia de opressão que gere constrangimentos físicos ou morais. Embora haja sempre desigualdade de aptidões, os mais fortes e os mais inteligentes devem ajudar os mais fracos a progredir, e nunca escravizá-los com vistas à ilusão dos poderes terrenos.

Liberdade de Pensamento

Há no homem algo que escapa a todo constrangimento, e pelo qual ele goza de uma liberdade absoluta: o pensamento. É pelo pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não possui entraves. (LÊ 833). Sem dúvida, sendo uma faculdade inerente ao ser humano, o pensar é absolutamente livre, no entanto importa considerar sobretudo o conteúdo dos pensamentos. Pensar é criar, e quando se pensa criam-se imagens fluídicas que geram consequências maléficas ou benéficas, segundo a qualidade do pensamento. Sob esse aspecto, o homem é responsável por seus pensamentos, perante Deus e perante a si mesmo.

Liberdade de Consciência

A consciência é um pensamento íntimo, que pertence ao homem como todos ou outros pensamentos íntimos (LÊ 835). Conseqüentemente, a liberdade de consciência é decorrente da liberdade de pensar. A consciência abrange não só o pensamento, mas o modo de ser de agir, as normas de conduta, caracterizando assim a individualidade de cada um. Não se pode subtrair a liberdade de consciêncii dos homens, pois isso implicaria em obrigá-los a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar, o que os tornaria hipócritas. Quanto mais elevado o Espírito, mais aceita e respeita opiniões e crenças diferentes da sua, a liberdade de consciência é uma das características aã verdadeira civilização e do progresso (LÊ 837). O homem não tem direito de opor entraves à liberdade de consciência de outros, cabei do-lhe respeitar, sem faltar com caridade, os diferentes pontos de vista.

Escandalizar alguém que em sua crença não pensa como nós é atentar contra a Lei de Liberdade, pois toda crença quando sincera e conduz à prática do bem é respeitável.
Já nos casos de crenças reprováveis, por conduzirem o homem ao mal, não se pode modificá-las, pois trata-se de foro íntimo, pode-se, sim, reprimir atos que venham a prejudicar terceiros. Nesse caso, não se está atentando contra a liberdade de consciência, pois deixa-se ao indivíduo sua inteira liberdade de ser. No caso de doutrinas perniciosas, deve-se tentar conduzi-las à verdade pela doçura e persuasão, jamais pela força, por imposição ou violência.

Bibliografia:LÊ 825 a 842

B) Livre-Arbíírio e Fatalidade Livre-arbítrio

Livre-arbítrio é a liberdade de determinação da vontade humana de, entre duas ou mais alternativas, poder escolher livremente uma delas. E um privilégio do ser humano; a liberdade consciente, porém, implica sempre em responsabilidade perante Deus e a própria consciência. Através do livre-arbítrio o homem tem a faculdade de determinar a si mesmo. Segundo os Espíritos o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo (LÊ 122). No homem, em seu estado primitivo, o que mais predomina é o instinto, mas, à medi­da que a inteligência se desenvolve, através das experiências vividas nas reencarnações, a liberdade também se desenvolve, dotando-o da capacidade de analisar, de distinguir o certo do errado, e dando-lhe mais poder de decisão. Deus concedeu o poder de escolha a cada um, para que todos tivessem o mérito de suas obras.

Estudemos o livre-arbítrio em relação à criança, ao selvagem, às predisposições instintivas, à influência do organismo e à posição social:

1 — Nas primeiras fases da vida a liberdade é quase nula, ela se desenvolve com as faculdades. Estando os pensamentos da criança em relação com as necessidades de sua idade, ela aplica o seu livre-arbítrio às coisas que lhe são necessárias (LÊ 844).

2 — No caso do selvagem, predomina o instinto, mas isso não o impede de agir com liberdade. No entanto, como a criança, ele aplica a liberdade tão somente em função de suas necessidades básicas. Por conseguinte, aquele que é mais esclarecido, é também mais responsável pelo que faz.

3 — As predisposições instintivas podem ser obstáculo ao exercício do livre-arbítrio, ao impelir o indivíduo por vezes a atos repreensíveis, mas não há arrastamento irresistível quando se tem a vontade de resistir.

4 — O Espírito é certamente influenciado pela matéria que pode entravar suas manifestações (LÊ 846). Este é o caso daqueles cuja limitação física impede o Espírito de manifestar-se livremente. Já nos mundos superiores onde a influência da matéria é menor, as faculdades se desenvolvem com mais liberdade.

5 — Por vezes a posição social pode ser um obstáculo à inteira liberdade de ação. O Espírito pode encarnar em uma situação constrangedora. Cabe a ele valer-se de sua liberdade para esforçar-se ou não para superar os obstáculos.

Pode-se afirmar, com efeito, que o Espírito, através das sucessivas reencarnações, está destinado à felicidade e à perfectibilidade, através de sua própria conquista, através do exercício de seu livre-arbítrio, isto é, agindo segundo sua vontade, porém, desde que de acordo com sua natureza espiritual e com a Lei de Amor que lhe é imanente.

Fatalidade

Alguns estudiosos consideram o livre-arbítrio absoluto; no extremo oposto, três outras correntes filosóficas existem que negam peremptori­amente o livre-arbítrio, a saber;

— O fatalismo — considera que todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa natural.

— O predestinacionismo — baseia-se na soberania da graça divina, afirmando que Deus regula, antecipadamente, todos os atos e vontades de cada indivíduo.

— O determinismo — sustenta que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, qual o caráter, a cultura, o meio social, a família, a educação etc.

Neste jogo entre livre-arbítrio e fatalidade, deve-se observar a existência de dois princípios fundamentais, a saber:

a) A Lei Divina rege os homens de forma natural, através da sua imanência em todos os seres da Criação, sem impor-se de fora para dentro.

b) Por outro lado, a livre determinação individual outorga a cada um o direito inalienável de atender ou não à suprema Lei Divina ou Natural.

Conseqüentemente existe a Lei Divina Natural que não se impõe inexoravelmente de forma exterior ao homem, mas antes revela-se na própria natureza inerente ao Espírito, assim como existe a liberdade consciencial de atender ou não aos ditames da natureza.

A fatalidade não existe senão para a escolha feita pelo Espírito, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova: ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra (LÊ 851).O homem nunca é, portanto, fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não estavam escritos nem os crimes são decretos do destino; o homem será sempre livre para agir como quiser. As situações nas quais encarna foram escolhidas por ele mesmo, embora quando encarnado não possa mudá-las. No entanto, no que se refere às provas de natureza moral, às tentações, o homem é sempre livre de ceder ou resistir.

Segundo Léon Denis, não há acaso nem fatalidade, mas sim forças e leis. Utilizar, governar umas, observar outras, eis o segredo de toda elevação (...), livre e responsável, a alma traz em si a lei de seus destinos. No entanto, geralmente acha-se mais simples e menos humilhante para o amor-próprio atribuir tudo ao destino ou à sorte, do que a nós mesmos. A vida atual é a consequência, a herança de vidas precedentes e a condição das que lhe devam seguir.

Ao examinar a causa e a natureza das situações consideradas difíceis, ver-se-á que, na maioria das vezes, são consequências de uma falta cometida ou de um dever negligenciado. Nossas ações recaem sempre sobre nós mesmos, não somente por nossas faltas, mas também pelo bem que deixarmos de fazer.

Se há fatalidade às vezes, é apenas no tocante aos acontecimentos materiais, cuja causa estafara de nós e que são independentes de nossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha: para estes atos não existe jamais a fatalidade (LÊ 861). Desta forma, não se pode intervir sobre a realidade material na qual estamos inseridos, mas pode-se modificar e traçar os momentos pêlos quais irá passar.

A fatalidade, o destino, e o determinismo, contra os quais tanto os homens se insurgem, decorrem basicamente de três circunstâncias fundamentais:

a) a possibilidade da escolha feita pelo Espírito, antes da encarnação, na qual o homem tem a possibilidade de ceder ou resistir aos arrastamentos;

b) de um acontecimento que é quase sempre a consequência de um ato praticado de livre vontade;

c) de constrangimentos impostos pela força das circunstâncias tais como: determinismo da influência material sobre a espiritual nas primeiras encarnações, ação dos flagelos destruidores, períodos cíclicos da evolução etc.

Tais circunstâncias "fatais", como vulgarmente entendidas, são sem­pre um meio que permite ao homem, passando pelas provas, desenvol­ver sua inteligência, seu senso moral, aumentando-lhe a responsabilida­de e ao mesmo tempo seus méritos.

Bibliografia:LÊ perguntas 843 a 867.
(1) Denis, Léon - Depois da Morte, cap XXXII

C) Conhecimento do Futuro

Em princípio, o futuro é oculto e só em casos excepcionais é revelado ao homem (LÊ 868). Isso porque, se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade de agora, pois seria dominado pelo pensamento de que se uma coisa deve acontecer não adianta ocupar-se dela, ou então procuraria impedi-la (LÊ 869).

Em casos raros, o conhecimento do futuro é antecipado, com o fim de facilitar o cumprimento das coisas ao homem e não embaraçá-lo, levando-o a agir de maneira diferente do que faria, se não tivesse o conhecimento. A perspectiva de um acontecimento pode despertar pen­samentos que sejam mais ou menos bons.

Se o homem souber, por exemplo, que obterá uma fortuna com a qual não contava, poderá ser tomado pelo sentimento de cupidez, desejando a morte daqueles que lha devem deixar, ou então a perspectiva poderá lhe despertar pensamentos generosos. Se a previsão não se realizar, será outra prova; a da maneira pela qual suportará a decepção.

A realidade futura é sempre resultante da ação presente ou consequência de ações passadas, porquanto decorre da Lei de causa e efeito, estando, portanto, instintivamente associada ao livre-arbítrio. O conhecimento de todos os incidentes da rota tiraria ao homem a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio e, então, ele se deixaria arrastar pelo declive fatal dos acontecimentos, sem exercitar suas faculdades.

Grande parte da humanidade, ainda desinformada das verdades do mundo espiritual e das Leis Divinas que regem a vida, busca, não raro, saber coisas a respeito do futuro, na ânsia de ser feliz ou de encontrar os caminhos que a "sorte" lhe reserva. Para isto, entrega-se às mãos de pessoas, algumas vezes dotadas de faculdades medianímicas mal empregadas. O ensinamento dos Espíritos mostra os inconvenientes destas práticas pelo possível envolvimento com Espíritos inferiores.

Cabe, portanto, ao homem, como árbitro do próprio destino, delinear a rota futura, discernindo o bem do mal, depurando as imperfeições do Espírito. Poder-se-ia questionar aqui, por que Deus não fez o homem já perfeito e realizado, por que o homem passa pela infância antes de atingir a idade madura. Acontece que as provas têm por fim deixar ao homem toda a responsabilidade, assim como todo o mérito de sua ação, uma vez que ele tem a liberdade de fazer ou não fazer.
Quanto mais o Espírito se depura, mais diminuem suas fraquezas, quanto mais o Espírito se eleva, mais aumenta sua força moral perante as coisas do mundo.

QUESTIONÁRIO

a) liberdade natural — escravidão — liberdade de pensamento e de consciência:

1) Qual a relação entre a Lei de Sociedade e a Lei de Liberdade? Qual o limite para liberdade?

2) A liberdade de pensamento é absoluta? Explique.

3) Como agir com relação às crenças que conduzem o homem ao mal?

b) LlVRE-ARBÍTRIO E FATALIDADE:

1) Quais os fatores que podem consistir em obstáculo ao exercício do livre-arbítrio?

2) Explique as três correntes filosóficas que se opõem à teoria do livre-arbítrio.

3) Como a Doutrina Espírita considera a fatalidade?

c) conhecimento do futuro?

1) Que consequências traria para o homem o conhecimento do

2) O que ocorre àqueles que buscam, por mera curiosidade, a previsão do futuro?

3) Por que Deus não criou o homem já perfeito e realizado?

Bibliografia:LÊ 868 a 872


17ª. AULA - 8/06/05
LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

A) Justiça e Direito Natural — Direito de Propriedade - Roubo

Justiça e Direito Natural

Justiça é a virtude moral pela qual se atribui a cada indivíduo o que lhe é de direito; é um sentimento natural, inerente ao ser humano, e não resultado de idéias adquiridas, pois consiste no respeito ao direito de cada um. O sentimento de justiça está de tal modo patente na natureza que o próprio homem revolta-se à simples idéia de uma injustiça. O progresso moral desenvolve este sentimento, que é o mesmo para todos; o que varia é a sua expressão, em função do grau evolutivo dos Espíritos.

É assim que, o que para uns é justo, para outros não é; isto explica o fato de muitas criaturas interpretarem a justiça de modos diferentes; o critério de justiça está portanto diretamente ligado à evolução moral do Espírito. Por isso que se vêem criaturas simples, e às vezes até primitivas, mas com elevadas noções de justiça, mais exatas do que as de homens de muito saber. Estes, em numerosas oportunidades deixam-se levar pela cobiça, pelo poder e pela vaidade, desvirtuando assim o conceito natural de justiça, ao aplicá-la segundo seus próprios interesses.

A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um (LÊ, 875). Esses direitos são determinados por duas leis: a lei natural e a lei humana. A primeira é eterna, imutável, e sua origem identifica-se com a própria natureza de Deus, sendo sempre a mesma para todos. Deus não fez uns de limo mais puro que outros e todos são iguais perante Ele. Esses direitos são eternos; os estabelecidos pelos homens perecem com as instituições (LÊ, 878a). A segunda, compreendendo um conjunto de leis ou normas que regem as relações entre os homens, é feita de acordo com seus interesses, seus costumes, seu caráter, estabelecendo regras que podem variar com o progresso moral e intelectual. O direito dos homens, portanto, nem sempre corresponde à verdadeira justiça; ele só regula algumas relações sociais, porque há uma infinidade de atos que dizem respeito tão somente à consciência de cada um.

Pelo fato da justiça consistir no respeito aos direitos de cada um, se o homem não souber onde termina o seu direito e começa o do outro, deve basear-se no ensinamento de Jesus: "Querei para os outros o que quereis para vós mesmos".
Da necessidade que o homem tem de viver em sociedade, decorrem para ele obrigações especiais, sendo a primeira a de respeitar os direitos de seus semelhantes; aquele que se empenha em respeitar esse direito será sempre considerado como um homem justo.

Portanto, a característica de todo aquele que procura viver sob a égide da Lei de Justiça, Amor e Caridade em toda sua essência, é a do homem verdadeiramente bom e justo, porque estaria seguindo o exemplo de Jesus ao praticar o amor ao próximo e caridade, virtudes sem as quais não se estabelece a verdadeira justiça.

Direito de Propriedade - Roubo

O primeiro de todos os direitos naturais do homem é o de viver, pois a vida é necessária para o aperfeiçoamento dos seres; é por isso que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, on fazer qualquer coisa que possa comprometer a existência corpórea dele (LÊ, 880).

Deste direito inalienável decorre o direito à propriedade, porque esta é fruto que nasce de um outro direito, tão sagrado quanto o de viver: o de trabalhar. Todos os bens que o homem ajunta através do trabalho honesto, sem ter causado prejuízo moral ou material a outros, constitui-se em propriedade legítima, que ele tem o direito de defender e que lhe permitirá o devido repouso, quando não possa mais trabalhar.

Portanto, o direito de possuir constitui-se também como de ordem natural; importa, no entanto, que seja exercido com prudência e equilíbrio. Aqueles que se mostram insaciáveis na aquisição de bens, acumulando-os sem utilidade para si nem para ninguém, apenas para satisfazer o desejo de posse, tornam-se escravos da ganância e do orgulho. Mas todo aquele que ajunta pelo seu trabalho com a intenção de auxiliar o seu semelhante, pratica a lei de amor e caridade e seu trabalho é abençoado por Deus (LÊ, 883a).
Para o homem existe o conceito de legalidade de aquisição, conforme definem as leis humanas; mas o homem de bem deve saber que nem tudo o que é legitimamente adquirido ou consagrado pela legislação humana está conforme a justiça divina; assim, o que num século parecer ser justo em relação ao direito de propriedade, poderá ser catalogado como bárbaro e injusto, no século seguinte.

Bibliografia: LÊ, 873 a 885

B) Caridade e Amor ao Próximo — Amor Maternal e Filial

Caridade e Amor ao Próximo

O verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como ensinou Jesus, traduz-se na benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições alheias e no perdão das ofensas recebidas; tem-se então que caridade é a expressão maior do amor pelo semelhante.

O amor e a caridade tornam-se uma extensão da Lei de Justiça, pois este amor ao próximo significa fazer-lhe todo o bem que cada um gostaria que lhe fosse feito; nenhuma criatura pode exigir do seu semelhante que seja tolerante, indulgente e bondoso, se ele mesmo não proceder da mesma forma para com os outros. Para acentuar ainda mais a necessidade deste amor, Jesus ainda disse: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Este preceito manifesta-se tanto na prática da caridade material quanto na caridade moral. Muito embora o dever de todos seja o exercício constante de ambas, a caridade moral é mais difícil e, portanto, mais meritória que a caridade simplesmente material, porque exige de quem a pratica o verdadeiro sentimento de fraternidade, espírito de renúncia e tolerância, princípios contrários ao egoísmo e ao orgulho.

Deste modo, a caridade não se limita apenas aos aspectos materiais, mas abrange em sua essência a vida de relação em todos os pormenores de uma estrutura social, fundamentando-se a partir de algumas atitudes:
— Indulgência, que é a tolerância, a compreensão para com os defeitos do próximo, sem humilhar ou constranger também aquele que está em posição inferior, pois qualquer que seja nosso grau de evolução, estamos sempre colocados entre um superior que nos guia e nos aperfeiçoa, e um inferior, perante o qual temos deveres a cumprir. Não cabe a ninguém atirar a primeira pedra, pois todos são devedores, todos têm defeitos a corrigir, tentações a vencer, hábitos a modificar;

— Benevolência é a boa vontade em ajudar desinteressadamente os que precisam de ajuda, com verdadeiro afeto e respeito pelos seus problemas; é saber falar e ouvir, dando ânimo àquele que desfalece, ressaltando suas qualidades ao invés de apontar seus erros;

— Perdão no mais amplo sentido de esquecimento da falta recebida; perdoar cada ofensa quantas vezes se fizer necessário. Perdoar significa não somente esquecer o mal recebido, mas também não desejar nenhum mal a quem o pratica, inclusive aos "inimigos", dos quais não se deve guardar rancor ou desejo de vingança, mas procurar ajudar para que possam reparar os erros cometidos.

As palavras de Jesus "amai os vossos inimigos" induzem a uma reflexão: sendo o amor pelos inimigos contrário à própria natureza da condição humana, ainda pouco desenvolvida moralmente, é evidente que não se trata do mesmo amor que se tem pelos entes queridos. Amar os inimigos, da maneira como ensinou Jesus, é perdoar-lhes e pagar-lhes o mal com o bem; esta é a verdadeira caridade que caracteriza o homem do bem.

O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece (LÊ, 888); mas toda sociedade que estabelece suas leis sociais tendo como referência a Lei de Justiça. Amor e Caridade , saberá por certo prover as necessidades dos mais fracos, sem que estes se sintam humilhados pela sua inferioridade. A esmola em si não é um ato passível de reprovação, mas sim o modo como ela é praticada. Se o socorro prestado o for por mera ostentação de grandeza perante a sociedade, não haverá mérito algum, pois Jesus recomendou: "Que a sua mão esquerda ignore o que faz a sua mão direita"; por estas palavras ele ensinou a não macular o ato da caridade com o orgulho e a vaidade.

Portanto, a caridade, tal qual ensinou Jesus, consiste em amar uns aos outros, eis toda a lei, divina lei pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados, e a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica (LÊ, 888a). O amor é, assim, a essência divina que habita em todas as criaturas, do átomo ao arcanjo, essência esta que em todos quer revelar-se, na unidade de sua natureza.

Amor Maternal e Filial

O lar é a morada material temporária, onde muitos Espíritos antagônicos reencamam amparados pela tutela do amor maternal, sentimento instintivo, comum tanto para os homens como para os animais, embora nestes tal amor seja limitado às necessidades de sobrevivência de cada espécie; esta limitação explica o fato do amor maternal entre os animais se extinguir tão logo os filhotes se desprendam da mãe. No homem, contudo, este amor persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma abnegação que constituem virtudes (LÊ, 890).

Muito embora o amor maternal seja um sentimento inerente à Lei Natural, existem mães que repelem seus filhos, já a partir do nascimento; nestes casos, trata-se de circunstâncias especiais que dizem respeito tão somente à Lei de causa e efeito. Às vezes trata-se de uma provação escolhida pelo Espírito reencarnante, ou então é uma expiação, se aconteceu de, em vidas passadas, ele ter sido um mau pai ou mãe. Em todos os casos, a mãe que rejeita o filho desde tenra idade é porque seu Espírito é inferior a tal ponto de criar obstáculos para o filho, concorrendo para o seu fracasso na prova por ele escolhida.

Aos pais cabe, portanto, o dever de fazer todos os esforços no sentido de conduzir os filhos ao bem, independentemente dos desgostos que estes lhe causem, pois muitas vezes apenas refletem o resultado de maus hábitos que os próprios pais deixaram que os filhos adquirissem; aos filhos cabe o dever de honrar seus pais e nessa convivência fraterna, tanto o amor maternal quanto o filial serão decorrência natural da Lei de Justiça, Amor e Caridade.

Bibliografia:LÊ, 886 a 892

C) Necessidade da Caridade Segundo o Apóstolo Paulo

Ainda que eu falasse todas as línguas dos homens e mesmo a língua dos anjos, se não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine (I Coríntios, 13:1). Indubitavelmente, não existe melhor definição de caridade do que esta que Paulo de Tarso transmitiu aos Coríntios em sua l." Epístola.

Nela, o apóstolo situa a prática da caridade acima de qualquer outra virtude, mesmo acima da fé e da esperança, corroborando com a assertiva de Jesus "a cada um será dado segundo as suas obras". Ninguém melhor do que ele soube compreender e ensinar o que é a caridade, ao sublimar suas próprias emoções na comunhão legítima com os ensinamentos de Jesus.

E assim que, mesmo que falasse todas as línguas dos homens e dos anjos, mesmo que tivesse o dom da profecia, que desse todos seus bens aos pobres e entregasse seu corpo ao sacrifício, mas não tivesse caridade, não tivesse disposição da alma, de nada adiantaria; com estas palavras. Paulo de Tarso estava ensinando a todos que essa sublime disposição interior identifica-se com o mandamento de Jesus "amarás o teu próximo como a ti mesmo". Ser como o metal que ressoa significa dizer que até mesmo aquele que endurece seu coração deixando de fazer o bem, mesmo que tenha todo saber e erudição, mesmo que saiba proferir belas palavras, tudo isso nada valeria sem a vivência desta virtude.

A necessidade da caridade, segundo o apóstolo, é amar a todos simplesmente pelo desejo de amar, é suprir a carência afetiva inerente à própria condição humana, é o desejo sincero de fazer algo em benefício do bem comum. A Lei de Sociedade impulsiona o homem, na sua vida de relação, a desenvolver suas potencialidades; enquanto inteligência infinita seu patrimônio intelectual e moral se expande e se aprimora à medida que participa ativamente da vida familiar e social pela necessidade inerente de auxílio mútuo, através da caridade, base angular de todo relacionamento social. Deste modo, a caridade segundo Paulo de Tarso é a superação do orgulho e do egoísmo, justamente os maiores obstáculos ao progresso moral da humanidade, pois é através da prática da caridade que o homem deixa vir à tona a natureza íntima do seu ser: o amor, extensível ao seu semelhante.

Ao abordar este tema, o apóstolo Paulo, refletindo certamente toda inspiração advinda da Espiritualidade, conduz os homens a uma reflexão, para que não vissem nesta virtude apenas uma necessidade circunscrita a atos materiais; ser caridoso é algo mais complexo do que o sugere o simples comportamento em determinadas situações sociais, mas uma atitude evangélica e uma predisposição ao amor perante a vida, perante Deus e perante si próprio. As palavras deste apóstolo são incisivas, quando disse: A caridade é paciente; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre (ESE, Cap. XV, item 6).

Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nem melhor resume os deveres das criaturas do que o lema "Fora da caridade não há salvação", por abranger em seu conteúdo toda a essência do mais puro Cristianismo. Por isto, a bandeira da Doutrina Espírita é a caridade, e a sua inscrição é "Fora da caridade não há salvação", base fundamental para a evolução do Espírito, porque sem ela o homem construiria sua casa sobre areia. É preciso, pois, desfraldar e agitar para todos os irmãos em Jesus esta bandeira de amor, porque ela reúne em si mesma todas as virtudes que caracterizam o homem de bem em comunhão total com Deus.

Na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos do homem sobre a terra e no céu. Sobre a terra porque, à sombra desse estandarte, eles viverão em paz; e no céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor (ESE, Cap. XV, item 10).

Bibliografia:ESE, Cap. XV, itens 6 a 10

QUESTIONÁRIO

a) justiça e direito natural— direito de propriedade — roubo:

1) O sentimento de justiça é natural, ou resulta de idéias adquiridas?

2) Em que se diferem a lei humana e a lei natural ou divina? "

3) O que caracteriza a propriedade legítima?

b ) caridade e amor ao próximo — amor materno e filial:

1) Comente o ensinamento de Jesus — "Amai-vos uns aos outros, corno eu vos amei".

2) Quais as atitudes que fundamentam a verdadeira caridade? Explicar.

3) Como a Doutrina Espírita encara o amor maternal e filial?

c ) necessidade da caridade segundo o apóstolo paulo:

1) Defina a caridade, segundo o apóstolo Paulo.

2) Discorra sobre a máxima: "Fora da caridade não há salvação".

3) De que forma pode-se praticar a caridade no dia-a-dia?



18ª AULA: 15/06/05
PERFEIÇÃO MORAL



A) As Virtudes e os Vícios — Das Paixões — Do Egoísmo


As Virtudes e os Vícios

O Espiritismo contribui para a Humanidade entrar em uma nova fase, a do progresso moral, que lhe é inevitável. É imprescindível, para tanto, que o homem se conheça, que identifique sua realidade, quanto aos vícios assim como às virtudes que eventualmente possua. Vejam-se, para tanto, a definição de virtude e vício:
Virtude: consiste na boa qualidade moral, na disposição habitual para o bem, excelência moral, força interior, retidão, austeridade.

Vícios: compreendem os defeitos, os costumes censuráveis, os hábitos perniciosos, entre os quais: fumo, álcool, gula, abusos sexuais. Já os defeitos consistem nas imperfeições ou desvios das leis morais, inerentes à individualidade, são: o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a maledicência etc.

Todas as virtudes são louváveis, porque todas implicam no cumprimento da Lei do Progresso, que é inerente à trajetória do Espírito. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências (LÊ, 893); toda vez que o homem busca superar seus defeitos e suas más inclinações, já é um indício de progresso; mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção (LÊ 893). A virtude deve, portanto, estar fundamentada na intenção que move uma ação, ou seja, o sublime da caridade consiste na doação de si de forma desinte­ressada.

O indício mais característico da imperfeição é o interesse pessoal, ou seja, o apego às coisas materiais ou à própria pessoa são sinais de notória inferioridade. Muitos Espíritos possuem qualidades reais, o que os torna dignos de consideração perante os homens, porém, basta ferir a tecla do interesse pessoal para revelarem suas verdadeiras tendências.

A verdadeira virtude consiste em praticar o bem por um impulso espontâneo, sem que se tenha de lutar com nenhum sentimento contrário. Os que não têm de lutar é porque já realizaram o progresso, e por isso os bons sentimentos não lhes custam esforço.

Muitos casos existem de pessoas que demonstram um desinteresse natural pelas coisas materiais, no entanto, a prodigalidade irrefletida é também indício de falta de bom senso. A fortuna não é dada a alguns para ser lançada ao vento, como não o é a outros para ser encerrada num cofre. E um depósito de que terão que prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que poderiam ter feito e não fizeram (LÊ 896). Vê-se aqui claramente uma elucidação da Parábola do Filho

Pródigo (Lc 15:11-32) onde o filho mais moço é a personificação daquele que se entrega à vida material desregrada, e o filho mais obediente é o símbolo do egoísmo que pretende monopolizar a herança e o convívio paterno. Cada um possui, portanto, liberdade para seguir o caminho que quiser, mas as consequências advirão de acordo com a intenção que move o coração de cada um .

Da mesma forma, aquele que pratica o bem sem visar a uma recompensa material, mas o faz na esperança que lhe seja levado em conta em outra vida é repreensível. É necessário fazer o bem por caridade, ou seja, com desinteresse (LÊ, 897). Aquele que faz o bem pelo bem, sem pensar em recompensa futura, seja de que natureza for, é porque já sentiu a alegria de doar-se, e já entendeu o fato de ser o amor a lei maior da vida.
Aquele que calcula o que lhe pode render cada uma de suas boas ações, na outra vida ou mesmo na vida terrena, procede de maneira egoísta (LÊ 897b).

Por outro lado, o filho egoísta na Parábola do Filho Pródigo, se não linha vícios, também não possuía virtudes. É assim que muitos, se não fazem o mal, também não fazem o bem, se não furtam ao próximo, também não lhe dão nada . Ora, a abstenção do mal apenas, em uma atitude passiva perante a vida também não é virtude. A moral sem ações é como a semente sem o trabalho. De que vos serve a semente se não a fizerdes frutificar para vos alimentar? (LÊ 905). É assim que a virtude consiste em força ativa que contribui de alguma forma para o próximo e a si mesmo; a virtude, se inoperante, deixa de sê-lo.

Das Paixões

O princípio das paixões é inerente à natureza do ser humano. Quando bem dosado e orientado leva o homem a grandes feitos, a grandes realizações. Em tudo na vida o erro está no abuso e não no uso. Por exemplo: trabalhar e comer são atividades positivas, mas trabalhar e comer excessivamente é prejudicial. As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa (LÊ 908); em assim sendo, a paixão negativa consiste no fato de o homem ser dependente de algo exterior a si; quanto mais domínio sobre si tiver, mais livre será.

O princípio das paixões não é portanto um mal, pois repousa sobre uma das condições providenciais de nossa existência. A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento; está no excesso e não na causa (LÊ 908). O homem não deve, portanto, esquecer que o Espírito é o senhor que pode e deve controlar a vida do corpo; o corpo é mero instrumento destinado a servir o Espírito. Desta forma , todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição (LÊ 908).

O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços; o que lhe falta é vontade, disposição do Espírito, iniciativa. Quando o homem julga que não pode superar suas paixões é que seu Espírito nelas se compraz, como consequência de sua própria inferioridade (LÊ 911).

Do Egoísmo

Entre todos os vícios, o que os Espíritos consideram mais radical é o egoísmo, pois dele deriva todo o mal. Se estudarmos nossos vícios veremos que na origem de todos eles está o egoísmo. É que ele engendra o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, dos quais a todo momento o homem é vítima; é ele que leva à perturbação, provoca dissenções e destrói a confiança de uns para com outros. Por mais que se lute contra eles, não se conseguirá diminuí-los, enquanto não se houver destruído a causa. Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar de seu coração todo sentimento de egoísmo, porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade; ele neutraliza todas as outras qualidades (LÊ 913).

Duas são as maiores causas do egoísmo: a primeira é a influência da matéria da qual o homem ainda não consegue libertar-se. A segunda funda-se na exaltação da personalidade. Ora, o Espiritismo nos faz ver as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidade (LÊ 917).

O egoísmo, portanto, só se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e não se chegará a esse ponto se não se atacar o mal pela raiz, ou seja, com a educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educação, se for bem compreendida será a chave do progresso moral (LÊ, 917). Não basta a ciência, não basta a arte de manejar a inteligência, se não se souber endireitar caracteres. Que se faça pela moral tanto quanto se faz pela ciência, só assim o egoísmo deixará de ser a fonte de vícios, e a caridade, por sua vez, manifestar-se-á como a fonte de todas as virtudes.

Bibliografia:
LÊ, 893a917

B) Caracteres do Homem de Bem — Conhecimento de Si Mesmo

Caracteres do Homem de Bem

Os Espíritos são seres imortais criados por Deus, e que possuem uma destinação gloriosa — a perfectibilidade. Para efetivar esse itinerário, foram dotados de recursos e talentos incontáveis, quais a razão, o amor, o livre-arbítrio. Assim é que o Princípio Inteligente individuado vai gradativamente, realizando sua caminhada evolutiva, errando e acertando, formando sua bagagem de conhecimentos, pessoal e intransferível, a qual Jesus se refere como verdadeira e que a ferrugem nem a traça consomem.

Nessa caminhada vão se estruturando sinais que evidenciam o progresso já alcançado pelo Espírito. Comprova-se, facilmente, a elevação espiritual de um indivíduo pela sua conduta moral no dia-a-dia. O Espirito prova a sua elevação quando todos os aios da vida corpórea constituem a prática da Lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual (LÊ 918). Quando vivência espontaneamente as leis naturais, quando harmoniza-se com a essência divina que o caracteriza, o grandioso processo de transcendência foi iniciado e novas dimensões se abrem para o ser.

O homem de bem busca continuamente uma auto-avaliação de si mesmo, para conscientizar-se de seus atos. Ele pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua mais completa pureza (LÊ 918). Valendo-se da Lei de Liberdade, pratica o bem pela alegria de praticar o bem, e não porque estivesse condicionado por algum castigo ou recompensa. Se Deus lhe concedeu o poder e a riqueza, administra-os , seguindo a Lei da Caridade, servindo-se deles como um depósito a ser utilizado em proveito de muitos. Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, respeita de fato a Lei de Igualdade, tfatando-os com benevolência e respeito, valendo-se da autoridade para apoiá-los moralmente.

Pratica a Lei do Amor ao ser indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência. Respeita, enfim, nos seus semelhantes, todos os direitos decorrentes da lei natural, como desejaria que respeitassem os seus (LÊ, 918). Busca, enfim, a sua perfectibilidade moral, pois vivência em sua consciência a necessidade de superação em respeito à Lei do Progresso. Ciente da bondade de Deus que se revela em cada criatura, vivência a Lei de Sociedade através da prática do amor ao próximo, da exteriorização do amor em meio aos homens. O homem de bem edifica sua vida sobre a rocha, pois ao identificar-se com o bem, terá sempre força interior con­tra as adversidades da vida.

Conhecimento de Si Mesmo

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", afirmou Jesus (João, 8:32). Quanto mais consciente de si, mais livre será o Espírito. Da mesma forma, recomendam os Espíritos que o meio mais prático para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal é o "conhece-te a ti mesmo" (LÊ 919).

É muito importante a conscientização da necessidade de reforma íntima, como meio de transformação interior, de superação dos defeitos, de acionar a vontade para substituir os vícios por virtudes. No autoburilamento consiste a chave do progresso individual, por isso não se pode mais dispensar o esforço consciente, não se deve mais viver simplesmente seguindo impulsos e instintos .

O primeiro passo para o conhecimento de si mesmo, segundo Santo Agostinho, consiste em interrogar a cada dia a própria consciência e ver se não se faltou ao cumprimento do dever, se ninguém tem nada de se queixar sobre a sua pessoa.

Mas como julgar a si mesmo? A dificuldade está justamente em conhecer a si próprio. Existe, segundo o Livro dos Espíritos, um meio de controle que não pode enganar: "Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça (LÊ 919a). É assim que podemos julgar nossas ações segundo uma máxima universal: Não fazer aos outros o que não se deseja para si mesmo.

O que conhecer? Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somo incapazes de perceber nossos próprios. Nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos. É importante a humildade em aceitar as limitações para que se possa crescer e superar-se. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas de seu jardim (LÊ 919a). No entanto, importa conhecer não somente as limitações mas, sobretudo, as potencialidades, aquilo que existe de infinito no Espírito, a força interior, o amor, a inteligência, a capacidade de transcender a si mesmo.

É assim que a sabedoria milenar de Sócrates permanece viva e evidente; seu método se desenvolve em dois momentos:
a) Ironia (interrogação) — consiste em interrogar a si mesmo e destruir toda falsa imagem ou idéia de si mesmo.
b) Maiêutica (gr. parturição) — consiste em trazer à luz a interioridade, os potenciais infinitos do Espírito.
Dessa forma o método de Sócrates, já precursor do Cristianismo, evidencia as bases da reforma íntima, nos termos da Doutrina Espírita.

Bibliografia:
LE,918a919a

C) Sede Perfeitos

Porque se vós amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai Celestial é perfeito (Mt 5:46-48).

Ao recomendar que sejamos perfeitos como o Pai celestial, Jesus ensina o amor ao próximo em sua máxima expressão, ou seja, a prática do amor indistintamente, seja aos inimigos, seja aos que nos perseguem e caluniam. O verdadeiro amor é uma exteriorização da essência divina que deve existir em si mesma, independente do ser a que é dirigida; é assim que Deus faz brilhar o sol sobre os bons e maus, sobre os justos e injustos. O homem compenetrado de alegria que o sentimento de amor proporciona, pratica o bem pelo bem, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, independentemente da retribuição de quem quer que seja ou de qualquer interesse pessoal. Sente-se jubiloso pelo bem que esparge, pêlos atos altamente meritórios de fazer feliz a quem quer que seja. O amor ao próximo estendido até o amor aos inimigos é indício de superioridade moral; disso resulta que o grau de perfeição está na razão direta da extensão do amor ao próximo (ESE, Cap. XVII, item 2); por isso recomenda o Mestre a perfeição, no sentido de estendermos o amor a todos, sem limites e distinção, vivendo assim uma consciência de ordem coletiva e não apenas pessoal. A perfeição, como disse o Cristo, encontra-se inteiramente na prática da caridade sem limites, pois os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde a mais ínfima até a mais elevada (ESE, Cap. XVII, item 10).

Deve-se, no entanto, entender por essas palavras uma perfeição relativa, aquela de que a humanidade é suscetível, e que mais pode aproximá-la de Deus. Não se deve nunca tomar essas palavras em sua acepção absoluta, pois o ser humano jamais poderá atingir a perfeição absoluta; dado o fato de ser inteligente, ter passado pela materialidade, ele será sempre relativo, ou seja, sempre perfcctível. O itinerário da perfectibilidade é, portanto, a destinação dos Espíritos, cuja tendência ao progresso lhes é imanente.

Os Espíritos, sendo individuações da essência divina, possuem identidade de origem e de natureza com Deus. A presença divina lhes é, pois, imanente e possuem em forma de potência todos os atributos divinos a serem revelados. Cabe-lhes, assim, revelar, tornar manifestas essas potencialidades infinitas, pela conscientização e consequente dinamização delas. "Sede perfeitos" implica em exteriorizar a qualidade infinita da essência oculta que habita o Espírito.

É assim que afirma ainda Jesus "Vós sois deuses" (Jo 10-34), pois cada criatura é uma criação divina, e sua destinação consiste na manifestação cada vez mais grandiosa do que há em si mesmo de divino. Todo o segredo da perfeição, da felicidade está, portanto, na auto-conscientização das potências divinas que caracterizam o Espírito.
Bibliografia:
ESE, Cap. XVII, itens l a 4

QUESTIONÁRIO

a) As virtudes e os Vícios — das paixões — Do egoísmo:

1) Em que consiste a verdadeira virtude?

2) Qual a relação entre o conceito de virtude contido em O Livro dos Espíritos e a Parábola do Filho Pródigo?

3) Qual o meio mais eficaz de combater a predominância da natureza corpórea?

b) características do homem de bem — conhecimento de Si mesmo:

1) Qual a relação do homem de bem com as Leis Morais?

2) Como proceder para conhecer a si mesmo?

3) Relacione o método de Sócrates com a reforma íntima.

c) sede perfeitos:

1) Em que consiste a perfeição, segundo a referida passagem de Jesus, em Mt 5:46-48?

2) Os Espíritos atingirão um dia a perfeição absoluta?

3) O que quis Jesus significar ao afirmar "Vós sois deuses"?



23ª. AULA: 17/08/05

PENAS E GOZOS TERRENOS I



A - Felicidade e Infelicidade Relativas
Pelo fato de ser a Terra um planeta ainda de provas e expiações, não pode o homem usufruir de completa felicidade, muito embora, na maior parte das vezes seja ele próprio culpado pelo seu infortúnio, em virtude de sua condição evolutiva. Assim, tanto a felicidade quanto a infelicidade decorrem de duas causas, cuja origem está no homem:

a) — A transgressão à Lei Natural ou Lei de Deus, na presente encarnação, que rege não apenas a vida de relação, mas principalmente a vida moral. Ao afastar-se desta Lei, o homem toma-se o único responsável pela sua infelicidade.

b) — Em virtude de erros cometidos em vidas passadas, justamente pela transgressão à Lei de Deus. que devem ser corrigidos na encarnação presente. Somos punidos nesta vida pelas infrações que cometemos às leis da existência corpórea, pelos próprios males decorrentes dessas infrações e pelos nossos próprios excessos. Se remontarmos pouco a pouco à origem do que chamamos infelicidades terrenas, veremos a estas, na sua maioria, como a consequência de um primeiro desvio do caminho certo (LÊ, 921). Do exposto, conclui-se que à medida em que o homem se aproxima da Lei de Deus, pode diminuir seus sofrimentos e viver relativamente feliz.

Muito embora a felicidade esteja diretainente ligada à evolução moral de cada um, existe um ideal comum que â toma acessível a todos: em relação à vida material, ser feliz significa a obtenção do necessário para a vida de relação; no que diz respeito à vida moral, ser feliz é ter a consciência do dever cumprido e a certeza de um futuro melhor. Porém, grande parte da Humanidade ainda não tem esta compreensão, e os momentos que poderiam ser de relativa felicidade tornam-se aflitivos e dolorosos. No enfoque deste tema, Penas e gozos terrenos, é possível relacionar algumas causas das infelicidades terrenas, a saber:

1) Em relação à vida material:
— Acúmulo de bens:
Sob o imperativo da Lei de Conservação, o homem vê-se na contingência de prover suas necessidades materiais, visando ao seu bem-estar; mas, impelido pela inveja e pela ganância, almeja sempre mais, ultrapassando o limite do necessário para viver dignamente; no afã de acumular bens, a cobiça turva-lhe o raciocínio, impedindo-o de distinguir o bem do mal, advindo-lhe então irreversíveis quedas morais, cujo soerguimento, doloroso em função da Lei de causa e efeito, torna-se motivo de grande infelicidade.

Riqueza — pobreza:
Muitas criaturas são favorecidas com grandes fortunas que, à primeira vista, parece não merecê-las. Convém lembrar, porém, que as provas são geralmente escolhidas pelos Espíritos quando na erraticidade, e pode acontecer de fracassarem no seu intento; além do mais, a riqueza constitui-se em uma prova das mais difíceis, pois se, de um lado, a pobreza pode levar à revolta, a fortuna pode levar a grandes excessos. Assim, se porventura alguém se condoer daquele que é pobre e invejar aquele que possui grandes bens, importa considerar que ambos passam por provas que lhes abrirão novas perspectivas de progresso espiritual, desde que obtenham êxito.

— Aptidões naturais:
Todos os homens têm aptidões naturais, através das quais a Providência Divina lhes indica as vocações a serem desenvolvidas; porém, muitas vezes são os pais que, por orgulho ou avareza, fazem os filhos se desviarem do caminho traçado pela Natureza, comprometendo-lhes com isso a felicidade. Mas serão responsabilizados por isto (LÊ, 928).

— Trabalho:
O trabalho, enquanto Lei da Natureza, impõe-se a todos como condição essencial para que haja progresso social, intelectual e moral. Mas, se o homem puder desenvolvê-lo segundo sua aptidão natural para esta ou aquela atividade, certamente será feliz, seja um trabalho humilde ou um superior. Quando ele colocar de lado o preconceito social e seu orgulho ferido, saberá então organizar uma sociedade fundamentada na Lei de Amor, Justiça e Caridade e, portanto, nos ensinamentos de Jesus. Então, jamais lhe faltará trabalho, porque sempre encontrará uma ocupação que o ajudará a viver dignamente; ninguém perecerá por falta de condições básicas à própria vida, excetuando-se aqueles que passam privações por própria culpa.

— Diferenças sociais:
Poder-se-ia questionar por que as classes sociais sofredoras são mais numerosas do que as aparentemente mais felizes. Contudo, nenhuma é completamente feliz, porque o homem sempre julga haver felicidade onde se ocultam grandes aflições, pois o sofrimento é parte integrante de um mundo de provas e expiações.

— Felicidade e infelicidade relativas:
Muito embora a necessidade seja sempre relativa às posses materiais de cada um, pode-se concluir que o mais rico é aquele que sente menos necessidades próprias, ou seja, o que se conforma em viver dentro de seus recursos, sem se deixar levar pelas necessidades artificiais, criadas pelo mundo contemporâneo. Portanto, o homem que sabe viver dentro dos limites de suas necessidades, sem desejar o que não está ao alcance de suas possibilidades, livra-se de muitos sofrimentos e decepções; conseqüentemente, será mais feliz, e é sob esse aspecto que se deve entender a questão da relatividade quanto à felicidade ou infelicidade terrenas.

2) Em relação à vida moral:
— Paixões:
Se, por um lado, o homem é causador dos seus sofrimentos materiais ao desejar sempre mais posses, por outro, é também causador de seus sofrimentos morais que por vezes independem de sua vontade: o orgulho ferido, a ambição desmedida, a avareza, a inveja, o ciúme, enfim, todas as paixões que desaguam em grandes dores, tirando-lhe os momentos de felicidade que poderia usufruir na presente encarnação.

— Más influências:
Um fator determinante do qual decorre a felicidade ou infelicidade é a influência que Espíritos de má índole podem exercer sobre os bons; isto ocorre porque estes, na maioria das vezes, aparentam fraqueza, deixando-se dominar, ao passo que os maus geralmente são persistentes, astutos e intrigantes. Mas, à medida que os bons deixarem de ser fracos e tímidos e seus sentimentos de fraternidade e solidariedade so­brepujarem a má índole de seus semelhantes, o bem tornar-se-á extensível a todos, e a tão almejada felicidade estará mais ao alcance do homem.

Do exposto acima deduz-se que o conceito de felicidade para o homem, na sua atual condição evolutiva, está na satisfação dos prazeres materiais, e que toda infelicidade se resume a partir do momento em que não os pode satisfazer. Por isto, as sociedades nativas, que ainda não se incorporaram às conquistas do mundo moderno são mais felizes, porque estão isentas da cobiça e da ganância em possuir características dos homens civilizados. No estado de civilização o homem pondera a sua infelicidade, a analisa e por isso é mais afetado por ela, mas pode também ponderar e analisar os seus meios de consolação. Esta consolação ele a encontra no sentimento cristão que lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo que lhe dá a certeza do futuro (LÊ, 933).

Quando o homem tiver a compreensão da transitoriedade da vida terrena e souber pautar sua vida dentro dos limites do necessário que a Natureza lhe concede; quando souber apreender o alcance social e moral da Lei de Justiça, Amor e Caridade; quando conseguir analisar as penas e usufruir os gozos que lhe cabem por dever, direito e conquista, sentir-se-á mais feliz, pois aceitará os sofrimentos com resignação e conhecimento de causa, tomando-os por conta de meros transtornos passageiros.
Bibliografia:
LÊ, 920 a 933

B) Perda de Entes Queridos
Perda de Entes Queridos
A perda de entes queridos é, sem dúvida, uma causa de grande sofrimento, da qual ninguém está isento; atinge tanto o rico quanto o pobre, porque representa uma prova ou expiação a que todos estão sujeitos. Entretanto, a consolação trazida pela Doutrina Espírita, ao trazer à luz o princípio da reencarnação, abriu um mundo novo e novas perspectivas a todos os que sofrem tal perda, pois sabem que não houve separação definitiva, mas sim passageira; a saudade, para aquele que tem a certeza que a vida continua, fica mais leve é mais fácil de suportar.

Deste modo, o ser amado está frequentemente junto de cada um, podendo, às vezes, comunicar-se através de diversos meios, pois não há barreiras intransponíveis entre encarnados e desencarnados. Contrariamente ao pensamento de alguns, não há profanação nas comunicações com o Mundo Espiritual, desde que a evocação seja praticada com o devido respeito e recolhimento. A profanação se configura quando a comunicação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material tem objetivos levianos e fraudulentos, cuja finalidade é tão somente enganar os incautos, geralmente transtornados pela perda de um ente querido.

Sem dúvida, a lembrança carinhosa dos que ficaram é sempre grata ao Espírito que retornou à pátria espiritual; mas suas dores causam tristeza e perturbação ao desencarnado; este, quando lhe é permitido, pode ver e sentir a dor e o desespero dos que ficaram, sem nada poder fazer. Contudo, o sofrimento atinge-o a tal ponto de dificultar a sua adaptação à nova realidade e a recuperação de sua lucidez espiritual. A Doutrina Espírita, pelas provas patentes que nos dá quanto à vida futura, à presença ao nosso redor dos seres aos quais amamos, à continuidade da sua afeição e da sua solicitude, pelas relações que nos permite entreter com eles, nos oferece uma suprema consolação, numa das causas mais legítimas de dor. Com o Espiritismo não há mais soli­dão, não há mais abandono. O mais isolado dos homens tem sempre amigos ao seu redor, com os quais pode comunicar-se (LÊ, 936).
Bibliografia:
LÊ, 934 a 936

C) Os Tormentos Voluntários — A Infelicidade Real

A vida de qualquer um não consiste na abundância do que possui (Lucas, 12:15).

Os Tormentos Voluntários
O significado desta citação evangélica, analisada à luz da razão, aponta a fragilidade do ser humano: a incansável procura da felicidade, baseada totalmente em valores perecíveis e na aquisição incontrolável de bens materiais. Paradoxalmente, é justamente na busca desta felicidade fictícia que se encontra a origem de seus sofrimentos. Assim, tormentos são as aflições, as angústias e privações que o homem atrai para si, espontaneamente, em razão da sua vivência totalmente voltada para os valores transitórios da vida terrena; voluntários, pois são dores desnecessárias, que nem sempre significam reajustes de erros cometidos em vidas passadas, mas apenas representam as consequências de uma busca infrutífera, porque realizada em terreno impróprio.

Em um mundo de provas e expiações, ser feliz ou infeliz é um estado interior que depende exclusivamente de valores morais e, portanto, o homem pode, mesmo na Terra, usufruir de uma relativa felicidade, desde que saiba procurá-la vivenciando a justiça, o amor e a caridade para com seu semelhante; nesta vivência fraterna, na alegria daquele que dá ajuda e consolo é que consiste a verdadeira felicidade, porque ele terá a consciência tranquila do dever cumprido e, conseqüentemente terá paz no seu coração.

Não há tormento maior para o homem do que as consequências do orgulho, da vaidade, do ciúme e da inveja; sob o domínio das imperfeições, ele não se conforma em ver seu semelhante prosperar, ser bem sucedido na vida, desfrutar de relativa prosperidade, enquanto ele próprio vive em situação de inferioridade ou de forma aflitiva. Atormentado pelo seu infortúnio, não consegue refletir e muito menos analisar a grande lição que a vida lhe oferece: aqueles que aparentam felicidade por possuírem bens materiais, muitas vezes trazem o coração amargurado presa dos mais angustiantes tormentos.

De quantos tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe se contentar com o que tem, que vê sem inveja o que não tem, que não procura parecer mais do que é. Ele está sempre rico, porque, se olha abaixo de si, em lugar de olhar para cima, verá sempre pessoas que têm menos ainda; é calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas, e a calma, no meio das tempestades da vida, não será felicidade? (ESE, Cap. V, item 23).

A Infelicidade Real

Erroneamente, os homens supõem conhecer a infelicidade nos seus mais variados graus de intensidade. Mas, conforme esclarecem os Espíritos, há uma significativa inversão de valores, em relação a este assunto. Enquanto que a felicidade, para a visão do mundo, está no acúmulo de bens,, a infelicidade, dentro da mesma perspectiva, está na falta tudo o que esses bens podem proporcionar. Nesta linha de raciocínio, a infelicidade configura-se na escassez de recur, nos flagelos da natureza, em todas as mazelas pertinentes somente à condição humana. Tudo isto, mais a infindável relação de transtornos que acometem a vida diária representam um estado aflitivo de infelicidade para o homem.

A inversão de valores evidencia-se neste próprio conceito de felicidade: é a alegria malsã, é o prazer que causa desequelíbrio, é a fortuna que leva à excessos, é a satisfação de desejos materiais, enfim, todos os gozos terrenos que amortecem a consciência pesada que obscurecem o raciocínio e impedem o homem de refletir sobre os verdadeiros valores que dizem respeito à vida espiritual. A própria Lei de Destruição, enquanto necessária à renovação e melhoria dos seres vivos, nem sempre é compreendida pelos homens, que julgam ser uma infelicidade os transtornos passageiros decorrentes de sua ação renovadora.

Portanto, antes de se emitir qualquer julgamento a respeito de felicidade ou infelicidade, é necessário uma reflexão que leve ao aproveitamento dos momentos de angústia e de tristeza; para julgar uma coisa é preciso, pois, ver-lhe as consequências; é assim que, para apreciar o que é realmente feliz ou infeliz para o homem, é preciso se transportar além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir; ora, tudo o que se chama infelicidade segundo sua curta visão, cessa com a vida e encontra sua compensação na vida futura (ESE, Cap. V, item 24).
Bibliografia:
ESE, Cap. V, itens 23 e 24

QUESTIONÁRIO

a) felicidade e infelicidade relativas:

1) Cite três principais causas materiais que concorrem para a infelicidade do homem.

2) Quais as causas morais que podem concorrer para a infelicidade do homem?

3) Em que consiste a verdadeira felicidade?

b) perda de entes queridos:

1) Por que se deve evitar o desespero quanto à perda de pessoas amadas?

2) Qual o consolo que a Doutrina Espírita oferece aos que perdem entes queridos?

3) Por que é lícita a comunicação com o Mundo Espiritual? Comente.

c) Os tormentos voluntários — A infelicidade real:

1) O que são tormentos, e por que voluntários?

2) Comente: "A vida de qualquer um não consiste na abundância do que possui" (Lucas 12:15).

3) Quais são os valores que a nossa sociedade deveria prezar?

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