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Curso Preparatório Espiritismo I - FEESP

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CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO



CURSO PREPARATÓRIO DE ESPIRITISMO

1ª AULA

1ª Aula - A) A existência de Deus

Quando o homem pré-histórico voltou seus olhos pela primeira vez para o céu noturno, repleto de estrelas, ou quando se admirou diante da Natureza exuberante que o cercava, ou ainda quando passou a descobrir-se como um ser de idéias e sentimentos, adentrou os domínios dos "mistérios" da Criação.

Iniciava-se, então, de modo extremamente primário, a formação da idéia acerca da existência de Deus. A partir daí, através de práticas as mais extravagantes, o homem tentou a comunicação com Deus, num processo que culminou com a própria humanização da divindade. O homem passou a conceber Deus à sua imagem e semelhança. Foi assim que se organizaram as mais diversas religiões.

Afinal, Deus existe? O fato de nunca ter existido um povo ateu sobre a face da Terra parece responder à pergunta. Mas, os sentidos humanos são inadequados para o conhecimento de Deus, em sua natureza íntima. Por isso, muitos ainda vacilam em afirmar categoricamente a sua existência. Contudo, "Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o essencial" (L.E., 14). Qualquer artifício ou método que queiramos aplicar para prová-lo é inútil. Qualquer fórmula utilizada para descrevê-lo ou mostrá-lo (como na mitologia greco-romana ou na religião dogmática), é imprópria. Como bem expressou Léon Denis: "há coisas que, de tão profundas, só se sentem, não se descrevem".

A Doutrina Espírita nos apresenta um conceito magnífico de Deus: a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas. Mas, a idéia vem enriquecida por alguns dos atributos da divindade, que revelam ao homem algumas de suas perfeições: Deus é eterno, único, imutável, imaterial, soberanamente justo e bom.

E sobre este último atributo (da justiça divina) que se funda o princípio da reencarnação. Se todos tendemos à perfeição, Deus nos proporciona os meios de consegui-la, com as provas da vida corpórea. Ê então que nos depuramos, submetendo-nos à prova de uma nova existência, condição necessária da evolução do Espírito, sem a qual permaneceríamos estacionários.

Depois de analisar cada atributo, Kardec conclui: "Tal é o eixo sobre o qual repousa o edifício universal; é o farol do qual os raios se estendem sobre o universo inteiro, o único que pode guiar o homem em sua pesquisa da verdade; ao segui-lo, não se extraviará nunca; e se tem se desencaminhado com tanta frequência, é por não ter seguido o caminho que lhe é indicado.

"Tal é também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas; para julgá-las, o homem tem um padrão rigorosamente exato nos atributos de Deus, e ele pode afirmar a si mesmo, com certeza, que toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática, que esteja em contradição com um só destes atributos, que tenda não só a anulá-los, mas simplesmente a enfraquecê-los, não pode estar com a verdade.

"Em Filosofia, em Psicologia, em moral, em religião, nada há de verdadeiro que não esteja conforme às qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita seria aquela da qual nenhum artigo de fé estivesse em oposição com estas qualidades, da qual todos os dogmas possam suportar a prova deste controle, sem dele receber nenhuma contradita." (A Gênese, cap. II, item 19).

E o próprio Universo que oferece evidências materiais acerca da existência de Deus. Em nossa consciência, estão inscritas as suas leis infinitamente perfeitas (L.E., 621). E' o sentimento inato de sua existência, que trazemos no coração, é "a marca do obreiro em sua obra". Ora, "vede a obra e procurai o autor!", sentenciou o Espírito da Verdade. Se o efeito que se vê é inteligente, sua causa só pode ser inteligente. O que não é obra do homem, só pode ser obra de um poder inteligente. Esse poder é Deus!

QUESTIONÁRIO

1 - COMO SE PODE CONCEITUAR DEUS?

2 - COMO ENTENDER A NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO?

3 - ONDE SE PODE ENCONTRAR DEUS?

B) elementos gerais do universo


Desde a Antiguidade, quando o homem começou a formar a base do seu conhecimento, uma das coisas que mais o fascinavam era o princípio das coisas. Assim foi, por exemplo, com os primeiros filósofos gregos, como Tales de Mileto, Heráclito de Éfeso, Demócrito de Abdera, entre outros. Procuravam saber de que as coisas eram formadas, e cada um deu a sua explicação, limitada à sua época, ao entendimento das pessoas e à inexistência de uma Ciência organizada.

O Espírito da Verdade veio revelar à Humanidade que ao homem não é dado conhecer todas as coisas aqui na Terra (L.E., 17). Falta-lhe desenvolver outras faculdades ainda desconhecidas, assim como a condição moral. Os sentidos, da mesma forma, não permitem ao homem senão o conhecimento do mundo material e da realidade em que está inserido. A inteligência limitada, ainda, só lhe permite acessar uma ínfima parcela do conhecimento de tudo o que existe. Quando o dominar por completo, terá chegado à perfeição (L.E., 898).

Porém, na medida em que se depura pelo amor e pelo saber, vai penetrando por si mesmo os mistérios da Natureza. O que o homem não consegue aprender, Deus permite que lhe seja revelado, para ajudá-lo na marcha do progresso. Essa compreensão é lenta e gradual. Ao elemento sentimental deve somar-se o valor intelectual; assim, fundem-se o Amor e a Sabedoria.

A Ciência humana trouxe-nos, a partir das civilizações mesopotâmica, egípcia, hebraica e, principalmente, a grega, o conhecimento do Universo, ainda que de forma rudimentar. Com o grande desenvolvimento da Ciência (a partir do séc. XVII), as leis físicas (da matéria) foram descobertas, graças aos estudos do Newton e de Lavoisier. Todavia, o Universo não é feito só do maioria, de sorte que o conhecimento humano carecia ainda do ampliação.

O Universo até então conhecido era estreito demais, tendo suas fronteiras colocadas onde os sentidos humanos e os instrumentos da Ciência podiam alcançar (o que era pouco, ainda). Vez por outra, eminentes filósofos (como Kant, por exemplo, estudando a Astronomia), alargavam esses limites.

Somente na segunda metade do séc. XIX, com o advento do Espiritismo - codificado por Allan Kardec, em seu tríplice aspecto: Ciência, Filosofia e Religião - o mundo espiritual abriu-se ao homem, mostrando-lhe um Universo infinito formado por dois elementos fundamentais: a matéria e o espírito. Acima de ambos, Deus, a Inteligência Suprema e causa primária de todas as coisas, constituindo assim a Trindade Universal. Não de pessoas, mas de substâncias distintas e autônomas.

A Matéria
A matéria já foi definida pela Ciência como aquilo que tem extensão, que pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Mero esforço humano para compreender o que lhe é visível, palpável, sensível. Por isso, no passado distante, o homem falava de quatro elementos formadores de todas as coisas: a água, o fogo, a terra e o ar. Essas eram as quatro essências conhecidas na Antiguidade. Com a estruturação da Química Orgânica, surge a Tabela Periódica, inicialmente com pouco mais de cinquenta elementos, depois ampliada para noventa e dois (do hidrogênio ao urânio) e, hoje, contando com mais de cem elementos. Esses mesmos elementos, que consideramos simples, não são mais do que modificações de uma substância primitiva.

A matéria também existe em estados que desconhecemos, podendo ser tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão aos nossos sentidos. O fluido universal, ou fluido cósmico, é a matéria elementar primitiva, cujas modificações, ou transformações, constituem a variedade inumerável dos corpos da Natureza. Esse fluido, imponderável e inabordável pelos instrumentos humanos, é o que podemos chamar quintessência, ou matéria quintessenciada, matéria do mundo espiritual.

A matéria, que começa no átomo, encontra-se no Universo em dois estados distintos: eterização e condensação. No primeiro, temos os fenômenos do mundo invisível, que são da alçada do Espiritismo. No segundo, os fenômenos do mundo visível, da alçada da Ciência. No seu ponto de partida, o fluido universal encontra-se em grau de pureza absoluta.

Na nossa realidade existencial, a matéria divide-se em orgânica, formando os corpos dos seres vivos (os homens, os animais e as plantas); e inorgânica, encontrada nos minerais, na água, no ar, etc.

O Espírito
"Que é o espírito?", perguntou Kardec ao Espírito da Verdade (L.E., 23). A resposta foi objetiva e precisa: "O princípio inteligente do Universo. "Logo se vê que é um elemento que não se confunde com a matéria. Enquanto esta tem as propriedades acima enumeradas, o espírito tem atributos, entre os quais destaca-se, como essencial, a inteligência: "Vossa alma é um Espírito que pensa "(L.E.,460).

Os Espíritos, como indivíduos, como os seres inteligentes da Criação, têm como ponto de partida este princípio e são permanentemente regidos pela lei do progresso. Partindo da condição de simples e ignorantes, e dotados de infinitas potencialidades, todos os Espíritos estão destinados à perfeição, que implica conhecimento de todas as coisas. A doutrina da reencarnação, que corresponde à idéia da justiça de Deus, é que nos permite caminhar de um extremo ao outro, criando a cada existência um passo na senda do progresso, através da consciência, da razão, da vontade, da inteligência e do livre-arbítrio.

QUESTIONÁRIO

1 - O QUE É O UNIVERSO?

2 - QUAIS SÃO OS ESTADOS DA MATÉRIA E SUAS CARACTERÍSTICAS?

3 - O QUE É O ESPÍRITO?


2ª.Aula: As 5 Alternativas da humanidade

A) As cinco alternativas da humanidade
As alternativas da humanidade em relação ao mundo espiritual resultam das seguintes doutrinas: materialismo, panteísmo, deísmo, dogmatismo e Espiritismo.

Doutrina Materialista
A inteligência do homem é uma propriedade da matéria; nasce e morre com o organismo. O homem nada é antes, nem depois da vida corporal.

Consequências. Tendo o homem apenas matéria, os gozos materiais são as únicas coisas reais e desejáveis; as afeições morais carecem de futuro; a morte quebra os laços morais sem remissão e para as misérias da vida não há compensação; o suicídio vem a ser o fim racional e lógico da existência, quando não se pode esperar atenuação para os sofrimentos; o bem e o mal, meras convenções; por freio social, unicamente a força material da lei civil.

Doutrina Panteísta
O princípio inteligente, ou alma, independente da matéria, é extraído do todo universal; individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, por efeito da morte, à massa comum, como as gotas de chuva ao oceano.

Consequências. Sem individualidade e sem consciência de si mesmo, o ser é como se não existisse. As consequências morais desta doutrina são exatamente as mesmas que as da doutrina materialista.

Doutrina Deísta:
Deísmo compreende duas categorias de crentes: os deístas crentes e os deístas providencialistas. Deus, dizem os dependentes, estabeleceu as leis gerais que regem o universo; mas, uma vez estabelecidas, estas leis funcionam por si só e aquele que as promulgou de mais nada se ocupa. O deísta providencialista crê não só na existência e do poder criador de Deus na origem das coisas, como também crê na sua intervenção incessante na criação e a ele ora, mas não admite o culto exterior e o dogmatismo atual.

Doutrina Dogmática
A alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte; desde esse momento, tem irrevogavelmente determinada a sua sorte; nulos lhe serão quaisquer progressos ulteriores; ela será, pois, por toda a eternidade, intelectual e moralmente, o que era durante a vida. Sendo os maus condenados a castigos perpétuos e irremissíveis no inferno, completamente inútil lhes resulta todo arrependimento. Os casos que possam merecer o céu ou o inferno, por toda a eternidade, são deixados à decisão e ao juízo de homens falíveis, aos quais é dada a faculdade de absolver ou condenar.

Consequências. Esta doutrina deixa sem solução os graves problemas seguintes:
- De onde vêm as disposições morais e intelectuais, inatas aos homens.7
- Qual a sorte das crianças que morrem em tenra idade?
- Qual a sorte dos idiotas que não têm consciência dos seus atos?
- Onde está a justiça das enfermidades de nascença, uma vez que não resultam de nenhum ato da vida presente?

- Qual a sorte dos selvagens e de todos os que forçosamente morrem no estado de inferioridade moral em que foram colocados pela natureza, se não lhes é dado progredirem ulteriormente7
- Por que cria Deus umas almas mais favorecidas do que as outras?
- Por que criou Deus anjos em estado de perfeição sem trabalho, ao passo que outras criaturas são submetidas às mais rudes provações em que têm maior probabilidade de sucumbir, do que de sair vitoriosas?

Doutrina Espírita
O princípio inteligente independe da matéria. A alma individual preexiste e sobrevive ao corpo. O ponto de partida ou de origem é o mesmo para todas as almas, sem exceção; todas são criadas simples e ignorantes e sujeitas ao progresso indefinido. Nada de criaturas privilegiadas e mais favorecidas do que outras. Os chamados anjos são seres que chegaram à perfeição, depois de haverem passado, como todas as criaturas, por todos os graus de inferioridade. As almas ou Espíritos progridem mais ou menos rapidamente, pelo uso do livre-arbítrio, pelo trabalho e pela boa vontade.

A vida espiritual é vida normal. O Espírito progride no estado corporal e no estado espiritual.
As crianças que morrem em tenra idade podem ser Espíritos mais ou menos adiantados, porquanto já tiveram outras existências em que praticaram o bem ou cometeram ações más.

A alma dos idiotas é da mesma natureza que a de qualquer outro encarnado; possuem muitas vezes grande inteligência, da qual abusaram em existências pretéritas e aceitaram voluntariamente a situação de impotência para usá-la, a fim de expiarem o mal que praticaram.

Princípios Básicos
A doutrina espírita, tem por princípios básicos:
- A preexistência da alma ao nascimento e sua sobrevivencia após a morte do corpo físico, com um corpo espiritual ou perispírito.

- Pluralidade das existências e justiça das aflições.
- Progressão dos Espíritos.
- Comunicação com os Espíritos desencarnados e a in­tervenção destes no mundo corpóreo.

Alternativas
Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro além-túmulo;

1°) o nada, segundo a doutrina materialista;

2°) a absorção no todo universal, segundo a doutrina panteísta;

3°) a conservação da individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina dogmática;

4°) a conservação da individualidade, com o progresso infinito, segundo a doutrina espírita.

De acordo com as duas primeiras, os laços de família são rompidos pela morte e não há nenhuma esperança de se reencontrarem; com a terceira, há possibilidade de se reverem, desde que estejam no mesmo meio, podendo ser esse meio o inferno ou o paraíso; com a pluralidade das existências, que é inseparável do progresso gradual, existe a certeza da continuidade das relações entre os que se amam, e é isso o que constitui a verdadeira família.

Espiritismo e Espiritualismo
Espiritualista é aquele que segue uma doutrina oposta ao materialismo. Quem crê haver em nós outra coisa além da matéria é espiritualista, o que não implica na crença nos Espíritos e nas suas manifestações.
Espiritismo é a doutrina revelada por Espíritos Superiores, por meio de médiuns, e organizada por Allan Kardec, que diz na "Introdução" ao Livro dos Espíritos: "portanto se adotei as palavras Espiritismo e Espiritualismo, é porque elas exprimem sem equívoco, as idéias relativas aos Espíritos. Todo espírita é, necessariamente espiritualista sem que todos os espiritualistas sejam espíritas. Podem ser chamados de Espíritas aqueles que professam a Doutrina Espírita, que é Filosofia, Ciência e Religião."

Codificação Espírita
A Doutrina Espírita está contida nas obras básicas: O Livro dos Espíritos (Paris, 18 de abril de 1857); O Livro dos Médiuns (Paris, 15 de janeiro de 1861); O Evangelho Segundo o Espiritismo (Paris, abril de 1864); O Céu e o Inferno ou a Justiça de Deus Segundo o Espiritismo (Paris, 1° de agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (Paris, 6 de janeiro de 1868); Obras Póstumas (Paris, 1890).

QUESTIONÁRIO:

1 - Quais as alternativas da humanidade em relação ao mundo espiritual, segundo Allan Kardec?

2 - Cite as consequências da doutrina dogmática?

3 - Quais os princípios básicos da Doutrina Espírita?

B) O espiritismo em seu tríplice aspecto

O Espiritismo surgiu oficialmente em 18 de abril de 1857, com a primeira edição de O Livro dos Espíritos, que viria a alterar muitos dos conceitos até então vigentes, com relação a Deus, à imortalidade da alma, à reencarnação, à comunicação com os mortos e, principalmente, ao mundo dos Espíritos.

"Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo em novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética e, estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação ", escreveu o Prof. José Herculano Pires, o mais celebrado dos seus tradutores.

Como síntese de todo o conhecimento humano, a Doutrina dos Espíritos vem muito bem estruturada na sua obra máxima, aparecendo à análise da razão sob a forma de ciência, filosofia e religião. Estes três aspectos vêm convenientemente distribuídos no conjunto de perguntas e respostas do notável livro. Ademais, no encerramento dos "Prolegômenos" de O Livro dos Espíritos pode ver-se o nome de Espíritos Veneráveis, que formaram a plêiade do Espírito da Verdade e foram, enquanto encarnados na Terra, expoentes da Filosofia, da Ciência e da Religião.

Em princípio, o Espiritismo é filosofia, com raízes profundas na própria tradição filosófica (a partir das escolas gregas). Esta é a razão pela qual Sócrates e Platão figuram na Codificação como precursores do Cristianismo e, por conseguinte, do Espiritismo. O Livro dos Espíritos fora até mesmo escrito na forma dos diálogos de Platão: perguntas e respostas. E, ao final da obra, nas suas "Conclusões", Kardec analisa a doutrina e afirma:

"Sua força está na sua filosofia, no apelo que faz à razão e ao bom senso " (item VI). Na primeira parte de O Livro dos Espíritos, são abordadas as "Causas Primárias": Deus, Elementos Gerais do Universo, Criação e Princípio Vital. Contudo, o Espiritismo não é só filosofia.

No "Preâmbulo" do livro O que é o Espiritismo, Kardec afirma: " O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações." E conclui, definindo com precisão: "O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal."

Surge, então o segundo aspecto do Espiritismo, que é Ciência. Como tal, a Doutrina Espírita difere da ciência materialista, rompendo definitivamente com a barreira de pressupostos para firmar em bases lógicas e experimentais os princípios da Nova Ciência, que vinha revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis: a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo.

A Ciência Espírita, portanto, contém duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; outra, filosófica, sobre as manifestações inteligentes (L.E., "Introdução", item XVII). Ambos os casos apresentam como base do conhecimento a fenomenologia medíúnica, coroada pelo ensinamento dado pelos Espíritos, que nos revelaram as leis naturais.

Finalmente, como terceiro aspecto da Doutrina Espírita, fechando o Triângulo de Forças Espirituais a que se referiu Emmanuel em O Consolador, surge o aspecto religioso, que Kardec deixou para o final de sua missão. Neste aspecto, porém, o Espiritismo é muito diferente das religiões tradicionais, visto ser desprovido de rituais, sacramentos, idolatria, paramentos, mitos e quaisquer cultos exteriores.

A Doutrina Espírita, por isso, como religião que efetivamente é, surge do exercício da razão; daí a idéia de fé raciocinada, "que se apoia nos fatos e na lógica e não deixa nenhuma obscurídade: crê-se porque se tem a certeza, e só se está certo quando se compreendeu." (E.S.E., Cap. XIX, item 7). Não se trata de uma religião, com uma série de rituais, mas de "Religião, propriamente considerada como sistema de crescimento da alma para celeste comunhão com o Espírito Divino", nas sábias palavras do Espírito Emmanuel.

Assim, o Espiritismo, como consciência teórica, está concentrado em O Livro dos Espíritos; como consciência prática, está exposto em O Livro dos Médiuns; e, como consciência moral, religiosa, ética e estética, desdobra-se em O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
8. ed. São Paulo, Ed. FEESP, 1995.
O que é o Espiritismo.
31. ed. Brasília, FEB, s.d.

Questionário

1) Onde encontrar as raízes da Filosofia Espírita?

2) Quais são as partes da Ciência Espírita?

3) Como se caracteriza a fé na Religião Espírita?

3ª. AULA
Noções Preliminares de Espiritismo

A) noções práticas de espiritismo

Observações preliminares
1. É erro crer que a certos incrédulos basta presenciar um fenômeno extraordinário para se convencerem. Os que não admitem a existência da alma ou do Espírito, no homem, não podem admiti-la fora dele. Negando a causa, conseqüentemente negam o efeito. Apresentam-se, pois, quase sempre, com idéias preconcebidas, com a deliberação prévia de negar tudo, o que se impede de realizar uma observação séria e imparcial. Fazem perguntas e levantam objeções impossíveis de contestação completa no primeiro momento, pois seria preciso dar a cada um deles um curso de Espiritismo, explanando todos os princípios.
O estudo prévio tem a vantagem de responder às objeções, que na maior parte se fundam na ignorância da causa dos fenômenos e das condições em que se produzem.

2. Os que desconhecem o Espiritismo imaginam que os fenômenos espíritas se produzem como as experiências de física e química. Daí a pretensão de submetê-los à sua vontade e a recusa de se colocarem em condições necessárias à observação.
Sem admitir em princípio a intervenção dos Espíritos, desconhecendo sua natureza e sua maneira de agir, procedem como se trabalhassem a matéria bruta. E como não obtêm o que desejam, concluem que os Espíritos não existem.
Colocando-nos sob um outro ponto de vista, compreenderemos que, sendo os Espíritos as almas dos homens, depois da morte também seremos Espíritos. Ora, nós certamente, do mesmo modo, não estaremos dispostos a servir de joguete para satisfazer caprichos de pessoas curiosas.

3. Mesmo certos fenômenos que podem ser provocados, pela razão mesma de provirem de inteligências livres, jamais estão à inteira disposição de alguém; e quem quer que se orgulhasse de os obter à vontade, estaria apenas dando prova de ignorância ou de má-fé.
É preciso esperá-los, colhê-los de passagem, e muito amiúde acontece que, quando menos esperamos, apresentam-se os fenômenos interessantes e concludentes. Quem deseja instruir-se seriamente deve, pois, armar-se, nisto como em tudo, de paciência e de perseverança e sujeitar-se ao que for preciso, pois de outro modo mais vale não tratar do assunto.

4. As reuniões que se ocupam das manifestações espíritas nem sempre realizam as condições favoráveis à obtenção de resultados satisfatórios ou de molde a dar convicção.
Existem algumas de onde os incrédulos saem menos convencidos do que quando entraram. Então objetam, aos que falam do caráter respeitável do Espiritismo, com o relato dos acontecimentos (frequentemente ridículos), de que foram testemunhas.
Esses não serão mais lógicos do que os que julgam uma arte pelos desenhos de um principiante, uma pessoa por sua caricatura ou uma tragédia por sua paródia. O Espiritismo também tem seus aprendizes; e quem deseja instruir-se não bebe ensinamentos de uma só fonte, uma vez que, só pelo exame e pela comparação se pode firmar um juízo.

5. As reuniões frívolas têm um grave inconveniente para os novatos que as assistem: dão-lhes uma idéia falsa do caráter do Espiritismo. Os que assistem a reuniões desta natureza certamente não podem levar a sério uma coisa que vêem ser tratada levianamente por aqueles mesmos que se dizem seus adeptos. O estudo antecipado lhes ensinará a julgar a transcendência do que vêem e a distinguir entre o mau e o bom.

6. O mesmo raciocínio é aplicável aos que julgam o Espiritismo por certas obras excêntricas que dele dão uma idéia falsa e ridícula. O Espiritismo é tão responsável pelas faltas dos que o compreendem mal ou o praticam erradamente quando a poesia é responsável pelos maus poetas. Parece deplorável que haja tais obras nocivas à verdadeira ciência. Sem dúvida, seria preferível que só houvesse boas. Mas a maior culpa recai sobre os que não se dão ao trabalho de estudar a questão inteiramente.

Todas as artes e todas as ciências encontram-se no mesmo caso.
Porventura, a respeito das coisas mais sérias, não foram escritos tratados absurdos e cheios de erros?
Por que seria o Espiritismo privilegiado, sobretudo 110 início?
Se os que o criticam não o julgassem pelas aparências, ficariam sabendo o que ele repele, e não lhe atribuiriam aquilo que repudia em nome da razão e da experiência.
Bibliografia
KARDEC, Allan. O principiante espírita.

Questionário

1) Qual a importância do estudo no Espiritismo?

2) Por que se deve evitar reuniões frívolas?

3) Como procedem os que desconhecem o Espiritismo?

B) Os espíritos

Os Espíritos não são, como vulgarmente se acredita, uma criação distinta das outras. São as almas das pessoas que viveram na terra ou em outros mundos, despojadas de seu envoltório corporal.
Quem admite a existência da alma, sobrevivendo ao corpo, igualmente admite a dos Espíritos. Negar estes equivale a negar aquela. Comumente fazemos uma falsa idéia dos Espíritos. Estes não são, como alguns pensam, seres imprecisos e indefinidos, nem chamas como as dos fogos-fátuos, nem fantasmas como os dos contos fantásticos.

São seres semelhantes a nós mesmos e que, como nós, têm um corpo: mas fluídico e invisível em estado normal.
Durante a vida, quando unida ao corpo, a alma tem um duplo envoltório. Pesado, grosseiro e destrutível: o corpo. O outro fluídico, leve e indestrutível: o perispírito.

Três coisas essenciais contam-se, pois, no homem:

1°) A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral.

2°) O corpo, envoltório material que coloca o Espírito em relação com o mundo exterior.

3°) O perispírito, envoltório leve, imponderável, que serve de laço intermediário entre o Espírito e o corpo.

O envoltório exterior sucumbe quando está gasto e já não pode realizar suas funções: o Espírito dele se liberta como o fruto se despoja da casca, a árvore da cortiça e a serpente da pele. Em outras palavras: como nos livramos de uma veste imprestável. A isto chamamos morte.
A morte é a simples destruição do envoltório material que a alma abandona, como a mariposa abandona a crisálida. A alma conserva, entretanto, seu corpo fluídico ou perispiritual.

A morte do corpo liberta o Espírito do envoltório que o prendia à Terra e lhe trazia sofrimentos. Uma vez desembaraçado dessa carga, fica-lhe apenas o corpo etéreo, que lhe permite percorrer os espaços e franquear as distâncias com a rapidez do pensamento.
A união da alma, do perispírito e do corpo material, constitui o homem. Separados do corpo, a alma e o perispírito constituem o ser denominado Espírito.

Os Espíritos possuem todas as percepções que tinham na Terra, ainda mais requintadas, por isso que essas faculdades não estão embaraçadas pela matéria. Experimentam sensações que nos são desconhecidas, vêem e ouvem coisas que nossos sentidos limitados não nos permitem ver nem ouvir.

Para eles não existem as trevas, salvo para aqueles cujo castigo consiste em viver nas sombras. Todos os nossos pensamentos repercutem neles que os lêem como num livro aberto. De modo que aqui­lo que podemos ocultar a alguém, enquanto vivo, não mais poderemos, desde que volte ao estado de Espírito. (L.E., 237).

Encontram-se os Espíritos por toda parte. Estão entre nós, ao nosso lado, observando-nos incessantemente. Sua contínua presença entre nós, torna-os agentes de diversos fenômenos. Desempenham um papel importante no mundo moral e, até certo ponto, no mundo físico. Constituem, assim, uma das potências da natureza.

A partir do momento em que se admite a sobrevivência da alma ou do Espírito, é racional admitir a dos afetos, sem os quais as almas de nossos parentes e amigos ser-nos-iam arrebatadas para sempre.
Como os Espíritos podem ir a toda parte, é igualmente racional admitir que os que nos amaram durante a vida terrena nos amem depois da morte; que viviam ao nosso lado, que conosco desejem comunicar-se e que, para conseguir, empreguem os meios à sua disposição. Isto é confirmado pela experiência.

Realmente, a experiência prova que os Espíritos conservam os afetos sérios que tinham na Terra, que se alegram de estar ao lado dos que amaram, principalmente quando atraídos pelo pensamento e pelos sentimentos afetuosos que se conservam, ao passo que se mostram indiferentes para com aqueles que lhes votam indiferença.
Bibliografia
KARDEC, Allan. "Noções elementares de Espiritismo". In: O que é o Espiritismo. São Paulo, Lake, s.d.

Questionário

1) Como deve conduzir-se quem deseja instruir-se seriamente na Doutrina Espírita?

2) Quais os elementos essenciais materiais e espirituais que formam o homem?

3) Qual a diferença entre alma e Espírito?

4ª. AULA: REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO DOS ESPÍRITOS

A - REENCARNAÇÃO E EVOLUÇÃO DOS ESPÍRITOS

Evolução
O Espiritismo é o Cristianismo redivivo, consequência direta da doutrina do Cristo. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios da morte.
Sabemos que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idênticas aptidões para progredir, em função do seu livre-arbítrio.

Deus, a ninguém dispensou do trabalho, para progredir. Desde que toda a criação deriva da grande Lei da Unidade que rege o Universo e que todos os seres gravitam para a perfeição relativa (porque perfeição absoluta é Deus), não existem favorecidos em detrimento de outros, pois todos sofrem as consequências de suas próprias obras.

Os Espíritos adquirem conhecimento, passando pelas provas que Deus lhes impõe (L.E., 115 ). Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais prontamente ao seu destino; outros não conseguem sofrê-las sem lamentação e assim permanecem (por sua culpa) distanciados da perfeição e da felicidade prometida.

À medida que os Espíritos avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquire o conhecimento e não mais o perde. Pode permanecer estacionário, mas não retrogradar.
Ao adquirir consciência de si mesmo, o seu livre-arbítrio vai se desenvolvendo.
A sabedoria de Deus se encontra na liberdade de escolha que concede a todos, porque assim cada um tem o mérito das suas obras.

Reencarnação
Desde tempos imemoriais, o homem possui o sentimento da imortalidade do Espírito. Civilizações antigas que antecederam o advento do Cristo Planetário, trazem-nos os ensinamentos referentes ao assunto. Há muito sabemos que todos nós somos Espíritos imortais.
Sabemos ser Elias uma encarnação anterior de João, o Batista, aquele que teve como tarefa reconhecer a Jesus, como enviado de Deus, para nos orientar e instruir. A lição de Nicodemos também é lembrada por todos nós. É necessário renascer de novo, Jesus lhe falou.

Raciocinemos juntos: como poderíamos encarar a justiça de Deus, observando ao nosso redor, homens simples, aparentemente bons, no maior sofrimento moral, com a miséria estampada nas faces? Como encarar a Justiça Divina, ao tirar a vida de um recém-nascido, filho de pais boníssimos?

Existem Leis Imutáveis. As mesmas leis que governam os corpos celestes, governam o nosso Planeta e todos nós. Justas, todas atuam em benefício de nosso crescimento para Ele, como Espíritos imortais, que somos.
Devemos aos Espíritos que nos trouxeram conhecimentos sob a égide do Espírito da Verdade, explanações de nosso mundo real, que é o mundo dos Espíritos e que esquecemos, quando aqui reencarnariamos.

E por que esquecemos? Porque poderíamos nos tornar orgulhosos, envaidecidos ou, então, aborrecidos por nos reconhecermos inferiores, por praticarmos atos que nos envergonhariam se deles nos lembrássemos nesta existência.

Assim, temos por uma Lei de Ação e Reação, por nosso livre-arbítrio, pelo bem ou pelo mal que praticamos, existências mais ou menos felizes aqui neste Planeta.
Planeta este que é de Expiações e Provas. Isso significa que aqui não temos uma felicidade completa.
E onde se encontra a Felicidade? Encontra-se no coração daqueles que, fazendo o bom uso do livre-arbítrio, só praticam o bem. Daqueles que, conhecendo o Evangelho de Jesus, não só o lêem como o praticam.

Sobrevivência do Espírito
Verificamos assim, que sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original seria não somente inconciliável com a justiça de Deus como tornaria todos os homens responsáveis pela falta de um só. Com a preexistência, o homem traz ao renascer o gérmen das suas imperfeições e sofre a pena das sua próprias faltas e não a de outrem.

Da mesma maneira, ao progredir, o Espírito traz virtudes ou conhecimentos já adquiridos.
Estudando as propriedades dos fluidos e a ação deles sobre a matéria, o Espiritismo demonstrou a existência do Perispírito (envoltório inseparável da alma, é um dos elementos constitutivos do ser humano e durante a vida do corpo, serve de ligação entre este e a matéria, sendo o veículo de transmissão do pensamento).

E no perispírito que se registram, automaticamente, todos os estados da alma. Cada existência terrena deixa no perispírito a sua impressão.
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

Questionário

1) Em que passagens do Evangelho, podemos ter a prova da reencarnação?

2) Como se dá a evolução do Espírito?

3) Qual a relação entre reencarnação e a Justiça Divina?

B) INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO

"Todos sabemos da necessidade de paz íntima - da paz que nos patrocine a segurança.
"Não desconhecemos que todos respiramos num oceano de ondas mentais, com o impositivo de ajustá-las em benefício próprio.
"Vasto mar de vibrações permutadas.
"Emitimos forças e recebemo-las.
"O pensamento vige na base desse inevitável sistema de trocas.
"Queiramos ou não, afetamos os outros e os outros nos afetam, pelo mecanismo das idéias criadas por nós mesmos."

Assim Emmanuel inicia o prefácio de Sinal Verde, ditado pelo Espírito André Luiz, enfatizando nossa condição de aparelhos transmissores e receptores de ondas mentais. Num mundo tão heterogêneo como este em que vivemos, essas ondas aparecem nas mais variadas frequências, de acordo com a equipagem evolutiva de cada um.

Temos muitas vezes ao nosso lado uma multidão de Espíritos, que nos vêem e conhecem os nossos pensamentos. Sua influência sobre nós, portanto, é maior do que podemos supor e muito frequentemente são eles que nos dirigem (L.E.,459). Os pensamentos que nos são sugeridos podem revelar-se positivos ou negativos, mas nós somos senhores de nossa vontade. As decisões que tomamos, segundo o nosso livre-arbítrio, são de nossa responsabilidade.

Cabe a nós, nas diversas situações de nossa vida, examinar criteriosamente as sugestões que nos vêm à mente, pois podem ser de um bom Espírito ou de um Espírito menos evoluído. A diferença é que "os bons Espíritos não aconselham senão o bem " (L.E., 464). O problema de ter um bom ou um mau Espírito a nos ao influenciar é questão de atração e sintonia, ou seja, o Espírito inferior só pode nos causar algum mal porque os atraímos pelos nossos desejos ou pelos nossos pensamentos. Sua presença costuma nos causar um sentimento de angústia, de ansiedade indefinível interior sem causa conhecida (L.E.471).

Como podemos fazer para neutralizar a influência desses Espíritos inferiores? Atraindo os bons, pela prática do bem e pela confiança em Deus. Não há antídoto mais eficaz. Jesus, na oração dominical, recomenda-nos pedir: "Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal", porque sabia que as tentações estão no íntimo de cada um e que nós só deixaríamos de sucumbir a elas através da prece que brotasse dos nossos corações, com sinceridade e fervor.

As tentações que abrigamos no mundo psíquico são o mal que ainda não conseguimos eliminar; são nossos maus hábitos, nossos vícios, nossas concepções errôneas, que muitas vezes nos fazem agir em sentido contrário ao que gostaríamos. A consciência dessa realidade foi o que levou o Apóstolo Paulo a proferir a lição belíssima: "Porque o que faço não o aprovo, pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim."(Rm 7:15-17).

Essas tentações constituem-se em fatores adversos do nosso caráter, rebaixando nosso padrão vibratório, e frequentemente são os elos da cadeia que ligam nossos pensamentos aos dos Espíritos que se encontram nessa faixa inferior de vibrações. Com isso, muitos atos de nossa vida cotidiana (posturas, gestos, palavras, leituras, idéias, etc.) acabam caindo na área de influência dessa categoria de Espíritos, moldando nossa conduta, sem que o percebamos, visto que o envolvimento é extremamente sutil.

E os Espíritos não só se aproveitam das circunstâncias para produzir-nos ao mal; eles também as provocam, algumas vezes, encaminhando-nos para o objeto do nosso interesse, isto é, para situações em que somos tentados a agir contra a lei natural ou contra os princípios éticos e morais que deveríamos respeitar, pois sabem que somos passíveis de queda.

Bibliografia
KARDEC, Allaii. O Livro dos Espíritos.

Questionário

1) Os Espíritos influenciam nossa vida?

2) De que forma os Espíritos podem nos causar algum mal?

3) O que são as nossas tentações?


5ª. AULA: O MAIOR MANDAMENTO.

A) O MAIOR MANDAMENTO

"Mas os fariseus, tendo sabido que Ele fizera calar os saduceus, se reuniram em conselho. E um deles, que era doutor da lei, para o tentar fez esta pergunta: Mestre, qual é o grande mandamento da lei! Respondeu Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante ao primeiro é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas. "(Mateus, 22:34'40) Vejam-se também: Marcos, 12:28-34 e Lucas, 10:25-28)

Verdadeiramente, Jesus proclamou, por esses dois mandamentos ("amar a Deus e ao próximo"), que fazer isso vale muito mais do que seguir todas as fórmulas e todos os cultos, ou praticar holocaustos e fazer todos os sacrifícios, porque no amor a Deus e ao próximo está consubstanciada a única e universal religião, que há de levar o gênero humano à unidade e à realização de seus destinos, pela solidariedade e a fraternidade.

Na mensagem maravilhosa de Jesus para as criaturas, Deus é Pai e todos os homens são irmãos!
Com esse mandamento maior, o Mestre substituiu o Decálogo, isto é, os dez mandamentos de Moisés, pois quem ama a Deus sobre todas as coisas, a ele unicamente presta culto, não adorando imagens de qualquer espécie; respeita o seu sagrado nome e santifica, não somente um dia, mas todos os dias da semana, todas as horas e todos os minutos. E quem ama o próximo como a si mesmo, honra seus pais, não mata, não adultera, não levanta falso testemunho, nem cobiça coisa alguma de quem quer que seja.

Quem ama o próximo, deseja ao semelhante o que quer para si. É o reconhecimento da Paternidade Divina, expandida na Fraternidade Universal. O amor ao próximo é a ponte que liga a criatura ao Criador.
Pelas palavras de Jesus, podemos entender que o único caminho da salvação é a prática da caridade com humildade, absolutamente contrária ao caminho da perdição, o egoísmo e o orgulho.

Do amor ao próximo, como a nós mesmos, nasce a caridade e esta reside no socorro que devemos prestar aos nossos irmãos pela nossa inteligência, pelo nosso coração, com brandura e humildade, para não lhes tornar penoso receber o auxílio material, moral ou intelectual que lhes dispensemos.

Como está implícito no amor de Deus, a prática da caridade para com o próximo e todos os deveres do homem podem ser resumidos na máxima: "Fora da caridade não há salvação", pois tudo aquilo que se aprende em conceitos deve-se revelar, concretamente, na caridade das ações.

Como exigir ou esperar atitudes nobres dos semelhantes, se não se desenvolverem a paciência e a benevolência para com eles? E se o homem não praticar o amor ao próximo, como pode amar a Deus?
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Questionário

1) Qual o maior mandamento? E o segundo?

2) Por que esses mandamentos podem substituir o Decálogo, trazido por Moisés?

3) Como compreender a proposta "triangular"do amor: a Deus, ao próximo, a si mesmo.

B) O valor da prece

" E quando orardes, não imiteis os hipócritas que costumam exibisse, orando em pé na sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas, quando orardes, entrai em vosso quarto e fechai a porta, orai a vosso Pai em secreto, e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos recompensará. E quando orardes, não faleis muito, como fazem os gentios, que pensam que é pelo muito falar que serão ouvidos. Não vos torneis, pois, semelhantes a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes mesmo que lho peçais." (Mateus, 6: 5-8.)

"Por isso vos digo: tudo o que pedirdes, orando, crendo que o haveis de obter, ser-vos-á dado. Mas quando vos puserdes em oração, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-ma, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. Pois, se vós não perdoardes, também vosso Pai que está nos céus, não vos perdoará os vossos pecados. "(Marcos, 11: 24-26.)

"E propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo para orar; um era fariseu, o outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava no seu interior desta foma: 'Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de tudo o que possuo'. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no seu peito, dizendo:

'O Deus, tem piedade de mim pecador.' Digo-vos que este voltou justificado para a sua casa, e não o outro, porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado. "(Lucas, 18:9-14)

As qualidades da prece foram, assim, distintamente definidas por Jesus, quando nos recomendou que, ao orarmos, não procurássemos exibir-nos, mas que fizéssemos sem afetação, em segredo, com simplicidade e sem muitas palavras, porque não será pelo muito falarmos que seremos ouvidos, mas pela sinceridade com que fizermos a prece. Se tivermos algum ressentimento com alguém, devemos perdoá-lo antes de orarmos, porque somente será agradável a Deus a prece dita com fé, com fervor e sinceridade, plena de caridade com o próximo. Na prece devemos tomar uma atitude humilde como a do publicano, e não orgulhosa como a do fariseu.

Muitos contestam a eficácia da prece sob a alegação de que, conhecendo Deus as nossas necessidades, será supérfluo que lha exponhamos, acrescentando ainda que as nossas súplicas não podem modificar os desígnios de Deus, já que todo o Universo se encadeia por leis eternas e imutáveis. Compreendemos e concordamos que as leis de Deus são eternas e sábias e devem ser cumpridas, porém, nem todas as circunstâncias de nossas vidas estão submetidas à fatalidade.

Somos senhores de um livre-arbítrio relativo para dele fazermos uso e tomarmos iniciativa, e se Deus nos deu raciocínio e inteligência foi para que deles nos servíssemos, assim como da vontade para querermos e da atividade para agirmos. De nossa iniciativa se originam acontecimentos que escapam forçosamente à fatalidade e que nem por isso destroem a harmonia das leis universais; assim, Deus pode aceder a certos pedidos sem infirmar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre isso do assentimento de Sua vontade.

Seria ilógico também concluir que basta pedirmos, para obtermos tudo o que quisermos. Invariavelmente obteremos respostas para nossas súplicas, porém a concessão nem sempre vem de acordo com nossos desejos, ou melhor, a imperfeita compreensão que temos das nossas verdadeiras necessidades nos leva a concluir, erradamente, sobre a não-satisfação dos nossos pedidos.

"A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar Nele; é aproximasse Dele; é pôr-se em comunicação com Ele. A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir, agradecer. "(L.E., 659)

Devemos orar no começo e no fim de cada trabalho: no começo para elevarmos nossas alma e atrairmos os Espíritos esclarecidos e bons, e no fim, para agradecermos os benefícios e ensinamentos que houvermos recebido.
Seja a nossa prece curta, humilde e fervorosa, muito mais um transporte do nosso coração do que uma fórmula decorada. A prece, para ser eficaz, não deve ser uma recitação, mas um ato de vontade capaz de atrair as boas vibrações do Plano Espiritual e as irradiações do Divino Foco.

A prece deve ser improvisada de preferência, porque assim a preocupação com o que estamos dizendo, prende a nossa atenção e favorece o nosso desprendimento. Deve ser curta. Não é a quantidade de palavras que representa o verdadeiro sentimento
da criatura.

"A prece deve ser cultivada, não para que sejam revogadas as disposições das leis divinas, mas, a fim de que a coragem e a paciência inundem o coração de fortaleza nas lutas ásperas, porém necessárias. A alma, em se voltando para Deus, não deve ter em mente senão a humildade sincera na aceitação de sua vontade superior. "(Emmanuel, p. 19)

"Ninguém pode imaginar, enquanto na Terra, o valor, a extensão e a eficácia de uma prece, nascida na fonte viva do sentimento. " ("Mediunidade no lar", mensagem de Emmanuel)
Oração Dominical- De todas as preces, o "Pai Nosso", ou oração dominical, é a que por consenso ocupa o primeiro lugar, quer porque foi ensinada pelo próprio Mestre, quer porque a todas pode substituir, conforme o pensamento que se lhe atribui. É o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obra-prima de sublimidade em sua simplicidade. Apesar de breve, resume nas suas sete proposições todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo; é uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão, o pedido de coisas necessárias à vida e o princípio da caridade.

"Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossa dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Assim seja. "(Mateus,VI,9-13) (Em Lucas, acrescenta-se: "Pois vossos são o reino, o poder e a glória, para sempre.)
Bibliografia
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. XAVIER, E C. Emmanuel

Questionário

1) O que é a prece?

2) Como devemos orar para que a prece tenha valor?

3) Na sua opinião, qual é o valor da prece?


6ª. AULA: A PARÁBOLA DO SEMEADOR

A) A PARÁBOLA DO SEMEADOR

Introdução – Conceito de Parábola:

Há dois mil anos, Jesus esteve conosco, trazendo lições para as multidões que o seguiam. Falou a seus discípulos, em certa ocasião: “Muitas das coisas que vos digo ainda não as compreendeis e muitas outras teria a dizer, que não compreenderíeis, por isso é que vos falo por parábolas. Mais tarde, porém, enviarvos-ei o Consolador, o Espírito da Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vo-los explicará todas”. (Jô, 14, e Jo, 16).

Que é uma Parábola? – É uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. Pode ser considerada uma narração alegórica que encerra doutrina moral. Sendo que, alegoria é a exposição de um pensamento sob a forma figurada.

A Doutrina espírita vem trazer novos ensinamentos necessários ao nosso melhor entendimento sobre as lições em forma de parábolas, que Jesus nos trouxe.

“Jesus, sobre muitos os pontos se limitou a lançar o gérmen de verdades que ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos claros, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas idéias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave. Essas idéias não poderiam surgir antes de um certo grau de amadurecimento do espírito humano. A Ciência devia contribuir poderosamente para o aparecimento e desenvolvimento dessas idéias. Era preciso, pois, dar tempo à Ciência para progredir”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. I, item 4).


A Parábola do Semeador


“Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muitas gentes , de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou; e toda a gente estava em pé na ribeira.

E lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram as aves do céu, e comeram-na. Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu porque não tinha altura da terra.

Mas saindo o sol a queimou, e porque não tinha raiz, se secou. Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e cresceram os espinhos, e estes a sufocaram. Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça.

(Mateus, 13:1-9) “Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador. Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada. E o recebeu a semente no pedregulho, é o que a palavra, e a recebe com alegria, mas como não tem raiz em si mesmo, chegando as angústias e perseguições, ofende-se. E o que foi semeado entre espinhos, este é o ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa.

E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto; e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um” (Mateus, 13:18-23).

“A parábola da semente representa perfeitamente as diversas maneiras pelas quais podemos aproveitar os ensinamentos do Evangelho. Quantas pessoas há, na verdade, para as quais eles não passam de letra morta, que, à semelhança das sementes caídas nas pedras, não produzem nenhum fruto!

“Outra aplicação, não menos justa, é a que se pode fazer às diferentes categorias de espíritas. Não nos oferece o símbolo dos que se apegam apenas aos fenômenos materiais, não tirando dos mesmos nenhuma conseqüência, pois que neles só vêem um objeto de curiosidade? Dos que só procuram o brilho das comunicações espíritas, interessando-se apenas enquanto satisfazem-lhes a imaginação, mas que após ouvi-las, continuam frios e indiferentes como antes. Que acham muito bons os conselhos e os admiram, mas para aplicá-los aos outros e não a si mesmos. Desses, finalmente, para os quais essas instruções são como as sementes que caíram na boa terra e produzem frutos”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo).

BIBLIOGRAFIA:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo

QUESTIONÁRIO

1 - O que é uma parábola?

2 - Por que Jesus muitas vezes falou por parábolas?

3 - Como se pode comparar as sementes da parábola às diferentes categorias de espíritas?

B ) O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

“Esse livro de doutrina terá considerável influência, pois que explana questões capitais, e não só o mundo religioso encontrará nele as máximas que lhe são necessárias, como também a vida prática das nações haurirá dele instruções excelentes. Fizeste bem enfrentando as questões de alta moral prática, do ponto de vista interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos.
“A dúvida tem que ser destruída; a terra e suas populações civilizadas estão prontas; já de há muito os teus amigos de além-túmulo as arrotearam; lança, pois, a semente que te confiamos, porque é tempo de que a terra gravite na ordem irradiante das esferas e que saia, afinal da penumbra e dos nevoeiros intelectuais”.

Estas reflexões, em comunicação do Espírito que orientava Kardec, respondem à sua pergunta: ”Que pensas da nova obra que trabalho neste momento?”. (Obras Póstumas, 2ª parte, 9 de agosto de 1863).

Surge O Evangelho Segundo o Espiritismo e, em sua “Introdução” são explicitados os objetivos e plano de elaboração.
“Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes:

1) Os atos comuns da vida do Cristo;
2) Os milagres;
3) As profecias;
4) As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja;
5) O ensino moral.

“Se as quatro primeiras partes têm sido objeto de discussões, a última permanece inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, por mais diferentes que sejam as suas crenças. Porque nunca foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda a parte provocada pelos dogmas”.

E prossegue: “Reunimos nesta obra os trechos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de cultos. Nas citações conservamos tudo o que era de utilidade ao desenvolvimento do pensamento, suprimindo apenas as coisas estranhas ao assunto.

“As máximas foram agrupadas e distribuídas metodicamente segundo a sua natureza, de maneira a que umas se deduzissem das outras, tanto quanto possível”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo constitui-se de um prefácio, vinte e sete capítulos e uma coletânea de prece. Tem sete conexões com o Antigo Testamento e cento e trinta e quatro com o Novo Testamento.
Segundo a natureza dos assuntos, os três primeiros se encadeiam: “Não vim destruir a lei”; “Meu reino não é deste mundo”; “Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

Deduzem-se dos outros, tanto quanto possível. Esta obra é disposta numa ordem lógica, aborda aspectos filosóficos e científicos e trata dos ensinamentos de Jesus, em seu aspecto moral.

Perpetuando-se ao longo dos séculos, citamos os ensinamentos:
- O Espiritismo é a Ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material.
- Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. (Cap. XVII, item 4).
- Fé inabalável é só a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade. (Cap. XIX, item 7).
- Fora da caridade não há salvação. (Cap. XV, item 10).

Edgard Armond, em seu livro O Redentor, escreve no Prólogo: “O Espiritismo arrancou o Evangelho das sombras místicas das concepções dogmáticas e o apresentou ao povo, indistintamente, aberto e refulgente, expressivo e edificante, como a força que mais poderosamente realiza transformações morais, no mais íntimo das almas, e impulsiona os homens para as luzes da redenção”.

BIBLIOGRAFIA:

Armond, Edgard - O Redentor
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo
Kardec, Allan - Obras Póstumas.

QUESTIONÁRIO:

1 - O que é O Evangelho Segundo o Espiritismo?

2 - Por que Kardec priorizou os ensinamentos morais de Jesus neste livro?

3 - Na sua opinião, qual a importância de O Evangelho Segundo o Espiritismo?


7ª. AULA: JESUS NO LAR

A) JESUS NO LAR

A lição de Jesus, a respeito do Culto Cristão no lar, foi transmitida por Néio Lúcio, da seguinte forma:
“Povoara-se o firmamento de estrelas, dentro da noite prateada de luar, quando o Senhor tomou os Sagrados Escritos e, como se quisesse imprimir novo rumo à conversa que se fizera improdutiva e menos edificante, falou com bondade.
- Simão, que faz o pescador, quando se dirige ao mercado com os frutos de cada dia?

O apóstolo pensou por alguns momentos e respondeu-lhe hesitante:
- Mestre, naturalmente, escolhemos os peixes melhores. Ninguém compra os resíduos de pesca.
- E o oleiro? Que faz para atender à tarefa que se propõe?
- Certamente Senhor, redargüiu o pescador intrigado, modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.

O amigo celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:
- E como procede o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?
O interlocutor, muito simples informou sem vacilar:
- Lavrará a madeira, usará o enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo, não aperfeiçoará a peça bruta.

Calou-se Jesus por alguns instantes, a aduziu:
- Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legitima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranqüila sem que o lar se aperfeiçoe?

A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendermos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se não nos habituarmos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o Eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:
- Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procurem a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebe o Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento?

O pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas, sim, no singelo domicílio dos pastores e dos animais.
Simão Pedro fitou no mestre os olhos humildes e lúcidos e como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:

- Mestre seja feito como desejas.
Então Jesus, convidando os familiares do apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão no lar.”

BIBLIOGRAFIA:
Xavier, F.C. - Jesus no Lar (Pelo Espírito Néio Lúcio)

QUESTIONÁRIO:

1 - Quais as palavras de Jesus para caracterizar o lar, segundo a narrativa de Néio Lúcio?

2 - Como e onde Jesus instituiu o primeiro culto (cultivo) do Evangelho no Lar?

3 - Na sua opinião, qual a importância desta lição?

B ) O Evangelho no Lar

“Lar, a nossa primeira escola, quando o Espírito tem a oportunidade de vestir a roupagem da inocência e da candura, passando pela fase do aquecimento e chega às mãos dos pais, na graça e na ternura de uma criança.
“A terra está preparada; depende da nossa boa vontade semear o bem.
“ O Lar é o coração do organismo social” (Sheila).

Organizemos nosso agrupamento doméstico à Luz do Evangelho.
Diz Jesus: “A paz do mundo começa entre quatro paredes”.
Seremos lá fora, no grande campo de experiência pública, aquilo que aprendemos no Lar.
Portanto, os pais não podem falhar para com seus filhos, do contrário, eles falharão com a sociedade, com o próximo e com eles mesmos; serão como a casa edificada na areia movediça: vindo os rios do progresso, os ventos da renovação, haverá grande ruína.

Devemos conservar entre nossos familiares a chama da esperança, estudando em casa a Revelação Divina, a Boa Nova de Jesus, praticando a fraternidade e crescendo em sabedoria, pedindo a Deus o desenvolvimento da humanidade e amor em nossos corações.
Disse Jesus: “Onde estiverem duas ou mais criaturas reunidas em meu nome, eu entre elas estarei.” (Mateus, l8:20)
Conscientes da grande responsabilidade, devemos assumir a postura de Espíritos imortais, criados com amor e para o amor; vamos convidar nossos familiares para o estudo da Boa Nova, marcando dia e hora apropriados para todos.

O dia passa a ser especial; o horário é nobre, pois vamos receber a visita de Jesus, através de seus mensageiros.
Nós sabemos: o Evangelho é Luz e quando chega em nossa casa, as trevas batem em retirada.
Preparação para o Evangelho no Lar: Chegou o dia; desde a manhã, pensamentos elevados, conversação edificante e trabalho normal.
Aproximando-se a hora do Evangelho, colocar música clássica ou música à luz da oração (é opcional); a água para ser fluidificada, também; porém, se houver alguém doente, pode-se colocar um copo com água em nome dessa pessoa, lembrando-se: “Eu sou o
Médico das almas e vim para os doentes”. (Jesus)

Se o telefone tocar, atenderemos cordialmente e diremos que estamos fazendo o Evangelho e, após este, tornaremos a ligar.
Se a campainha, a mesma coisa: iremos à porta e faremos o convite para entrar e explicaremos com rápidas palavras sobre a reunião, permitindo à visita assistir ao nosso Culto Cristão no Lar.
Na hora das vibrações, envolver os visitantes em muita paz, saúde, agradecer-lhes a presença.

ROTEIRO PARA REALIZAÇÃO

1-Início da Reunião. Iniciar com uma prece simples e espontânea, recepcionando carinhosamente o Mentor Espiritual e todos os irmãos dos dois planos que ali se fazem presentes. Buscamos o silêncio íntimo, assim podendo sentir a presença de Jesus, e pedimos: Senhor, dá-nos tua inspiração na leitura evangélica de hoje; sustenta-nos com o teu amor através de teus mensageiros, para que possamos assimilar os ensinamentos e colocá-los em prática em nosso dia-a dia.

2-Leitura do Evangelho. Fazer leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, começando da “Introdução”, lendo um pequeno trecho em cada reunião, com voz audível, calmamente, para que todos possam entender; a leitura deve ser metódica e seqüente, dando o caráter de aula. É a escola de Jesus em nosso lar, onde os alunos carentes somos nós, a matéria a ser estudada é o Evangelho e o Mestre é Jesus.

3-Comentários sobre o texto lido. Os comentários são breves, feitos por todos, e cada um expõe o que entendeu da leitura; se tivermos dificuldade, leiamos de novo e, então, comenta-se cada parágrafo. Certamente, os Mentores Espirituais estarão nos ajudando, a compreender a lição, a fim de a assimilarmos com facilidade. É exatamente nesta hora que recebemos a aula e passamos o ensinamento evangélico; não é comunicação mediúnica, mas sim as bênçãos do Alto chegando até nós pela inspiração divina de Amigos abnegados, que trazem amorosamente as orientações necessárias, não só da leitura, como também sobre os problemas atuais que podem e devem ser comentados à luz do Evangelho, em especial as questões familiares.

4-Vibrações. Este é o momento de muita importância da reunião. Lembremos das palavras de Jesus: “Vós sois Luz (...) podeis fazer o que eu faço e muito mais”. Jesus estava se referindo à potencialidade do Espírito, ao poder da mente quando canalizada para o bem, quando passamos para a condição de doadores. É um exercício de doação com o seu mecanismo na horizontal, usando nossa energia acionada pela vontade. Todos nós temos algo de bom a dar em favor do próximo, em benefício da humanidade. Deve-se destacar um membro da Reunião para dirigir estas vibrações, com tonalidade de voz moderada, e os demais acompanharão com o pensamento, procurando doar paz, amor, saúde, e equilíbrio. O valor da vibração está no impulso mental que é dado, na vontade firme e sincera de querer ajudar, na dedicação e amor aos semelhantes, acreditando no poder da fé, na fé racionada. Pensando, criamos através do pensamento d’Aquele que nos criou (Deus).

5-Prece de encerramento. No final, proferir a prece também simples e espontânea de agradecimento ao Senhor da vida e ao Plano Espiritual, que deram sustentação a nós neste “Evangelho no Lar”.

A Reunião tem duração de vinte a trinta minutos.
A Conversação no Lar, após o Evangelho, deve ser edificante, iluminada pelo amor e pela prática de compreensão mútua, sem o que o objetivo da reunião não será alcançado . Procurar permanecer nesta calma e vivenciar na medida do possível as lições aprendidas durante a reunião.

A prática das orientações recebidas é imprescindível; a nossa fala comportamento, olhar, pensar e agir, tudo deve ser guarnecido de vibrações radiantes do Evangelho, para que nossos irmãos nos possam ver como verdadeiro Evangelho Vivo. Sim, porque a fé sem obras é morta.

BIBLIOGRAFIA:

Compri, Maria Tonietti - Experiências à Luz do Evangelho no Lar

QUESTIONÁRIO

1 - Qual a finalidade do "Evangelho no Lar"?

2 - Quais os ítens que compõem o roteiro do "Evangelho no Lar"?

3 - Na sua opinião, qual a maior motivação para a prática de "Evangelho no Lar"?

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